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Mario Frias rondou Damares e deputados do PSL durante gestão de Regina Duarte

Folhapress

Ator atende ao kit completo do bolsonarismo, e passou a dizer que a quarentena é "um ato ditatorial descabido" Ao lado de dois filhos adolescentes, Mario Frias vestiu a camiseta da CBF para defender Jair Bolsonaro (sem partido) nas ruas no período de eleições. Suas opiniões, até ali, porém, não foram frequentemente associadas a um partido ou uma figura política. Frias costumava se posicionar, por exemplo, contra os maus-tratos a animais ou sobre questões ambientais. Mas algo mudou no início deste ano.

O ator foi nomeado secretário especial da Cultura por Bolsonaro nesta sexta-feira (19), em edição extra do “Diário Oficial da União”.

Foi em janeiro, quando Regina Duarte foi convidada para ser secretária da Cultura, que Frias se tornou mais enfático em sua própria promoção, passando a defender o governo Bolsonaro e suas ideias nas redes sociais. Na época de noivado entre Regina e Bolsonaro (noivado foi o nome das semanas de diálogos para o acordo final da nomeação de Regina), Frias já era um nome considerado ao posto.

Houve uma aproximação com o governo por meio da ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos). Há cerca de quatro meses, Frias participou de um vídeo promocional do programa a Luta pela Adoção no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Ao lado deles, estava o deputado Daniel Freitas, do PSL de Santa Catarina.

Freitas, que esteve na última comitiva presidencial em viagem aos Estados Unidos, é uma das pontes de Frias com o governo. Ele já trabalhou no setor de comunicação, tendo passagem pela Rádio Atlântida e a TV RBS, antes de ser Secretário de Comunicação de Santa Catarina. Também há registros de entrevistas de Freitas à Rede TV, onde Frias apresentou o programa "O Último Passageiro", entre 2010 e 2013, e também o game show A Melhor Viagem, em 2019.

Frias também teve passagem pela TV Record, tendo participado da novela "Os Mutantes" e "Promessas de Amor", entre outras. Nos bastidores, apostam que ele assume a Secretaria Especial da Cultura para defender interesses tanto da TV Record como da Rede TV.

Sua aproximação com o deputado Freitas tinha uma intenção específica. Frias procurava suporte para desenvolver um programa educativo. A ideia era promover um game entre alunos de escolas públicas, uma espécie de reality em que seriam testados os conhecimentos dos estudantes, e ela foi oferecida inicialmente ao Ministério da Educação, o que ocorreu em janeiro. Enquanto Regina passava pelo noivado, Frias começava a frequentar o gabinete de pessoas próximas à Presidência.

No dia 6 de maio, ele deu uma entrevista à CNN que agradou Bolsonaro. "Se o dono da empresa tem uma maneira de trabalhar, e eu sou o cara responsável pelo marketing, pela cultura, eu tenho que me adequar. Eu tenho que criar peças, estruturas, que possam dar vazão a objetivos desse governo", disse.

Nas redes, ator que fez parte do elenco de "Malhação", na Globo, também passou a atacar as medidas de isolamento social adotadas pelos Estados, em consonância com o discurso de Bolsonaro. Há sete semanas, postou no Instagram: "Vivi para assistir pessoas apoiando um absurdo desses. Isso não é democracia", disse.

O ator atende ao kit completo do bolsonarismo, e passou a dizer que a quarentena é "um ato ditatorial descabido"

"Desde o princípio o objetivo tem sido político. O mesmo governador, que se elegeu na onda Bolsonaro, que deixou a população do Rio de Janeiro bebendo coco, vem agora justificar todos esses excessos dizendo que está protegendo a saúde da população!?"