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Marinho nega crítica a Guedes, que diz: "Não acredito, mas se falou, é fura-teto"

Matheus Schuch e Lu Aiko Ota
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Em nota, ministro do Desenvolvimento afirmou que o governo reconhece a necessidade de encontrar uma solução para o benefício emergencial e que isso se dará como resultado de "amplo debate" com o Parlamento Circularam no mercado financeiro nesta sexta rumores de que o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (PSDB-RN), teria feito comentários sobre o Renda Cidadã e criticado o trabalho do ministro da Economia, Paulo Guedes, em uma live fechada para investidores e fora da agenda oficial. As conversas tiveram impacto nos contratos de juros futuros, que fecharam o dia em alta. Marinho negou os rumores e enviou uma nota à imprensa para esclarecer suas declarações. Questionado sobre o assunto, Guedes disse não acreditar que Marinho tenha falado mal dele. "Mas, se falou, é despreparado, desleal e fura-teto", afirmou Guedes. Os comentários que correram os mercados diziam que Marinho teria reforçado que existe um impasse em torno do financiamento do Renda Cidadã, mas que o programa sairia "da melhor ou da pior forma". Ele também teria tecido fortes críticas contra seu colega de esplanada Paulo Guedes. Entre outras coisas, Marinho teria dito que foi o próprio Guedes que teve a ideia de usar recursos de precatórios para financiar o Renda Cidadã e que, agora, não tem uma proposta. Os comentários acabaram sendo distribuídos, pelo WhatsApp, para outros representantes do mercado financeiro. Vídeo: Veja o resumo político da semana aqui Bolsonaro banca escolha para o Supremo, mas tem que apelar com sua base Ao chegar à sede do ministério, visivelmente irritado com os rumores, Guedes disse: “Não acredito que ele falou mal de mim. Mas, se falou, é despreparado, desleal e fura-teto." Questionado se havia falado com Marinho, ele informou que não. “Estão dizendo que ele falou isso. Eu não acredito que ele tenha falado isso. Eu realmente não acredito que ele tenha falado mal de mim. Espero que ele não tenha falado nada de mal.” A relação entre os dois está tensa há meses. Marinho tem trabalhado nos bastidores para encontrar recursos para ampliar investimentos, acima do teto de gastos. Guedes e sua equipe, por sua vez, têm defendido o teto como a super-âncora fiscal. Marinho nega Após as repercussões, Rogério Marinho afirmou que as informações divulgadas sobre sua reunião com um grupo de economistas chegaram à imprensa de "maneira distorcida". Em nota, Marinho disse que defende um programa que dê sequência ao auxílio emergencial, mas respeitando as âncoras fiscais. Também assegurou não ter feito "desqualificações ou adjetivações" contra colegas de Esplanada. "Em sua fala, Rogério Marinho destacou que o governo reconhece a necessidade de construção de uma solução para as famílias que hoje dependem da auxílio emergencial e que essa solução será resultado de um amplo debate com o parlamento, em respeito à sociedade e às âncoras fiscais que regem a atuação do governo", diz a nota, encaminhada pelo Ministério. "Não foram feitas desqualificações ou adjetivações de qualquer natureza contra agentes públicos, nem tampouco às propostas já apresentadas. Quem dissemina informações falsas como essas tem claro interesse em especular no mercado, gerando instabilidade e apostando contra o Brasil", afirmou. Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional, disse que solução para o auxílio emergencial se dará com debate ao Parlamento Marcos Correa/PR Confira, abaixo, a íntegra da nota enviada pelo MDR: O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, vem a público esclarecer as informações sobre a reunião realizada com pequeno grupo de economistas, na manhã desta sexta-feira, em São Paulo, e que chegaram a imprensa de maneira distorcida. A reunião teve o intuito de reforçar o compromisso do governo com a austeridade nos gastos e a política fiscal. Em sua fala, Rogério Marinho destacou que o governo reconhece a necessidade de construção de uma solução para as famílias que hoje dependem da auxílio emergencial e que essa solução será resultado de um amplo debate com o parlamento, em respeito à sociedade e às âncoras fiscais que regem a atuação do governo. O debate das últimas semanas e o árduo processo estabelecido para a construção de uma proposta que garanta a segurança alimentar das pessoas mais fragilizadas é uma demonstração do amadurecimento e consolidação das instituições brasileiras que defendem a disciplina fiscal e a saúde econômica do país, preservando as contas públicas e o teto dos gastos. O próprio fato de a inclusão do Renda Cidadã no orçamento exigir um debate de tal magnitude e um trabalho de grande complexidade, mostra como evoluímos de forma salutar na adoção de salvaguardas para manutenção do equilíbrio fiscal. Não foram feitas desqualificações ou adjetivações de qualquer natureza contra agentes públicos, nem tampouco às propostas já apresentadas. Quem dissemina informações falsas como essas tem claro interesse em especular no mercado, gerando instabilidade e apostando contra o Brasil.