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Resultado do Bradesco tende a retornar ao patamar de 2019 em 2021, diz Lazari

Fernanda Bompan, Talita Moreira e Álvaro Campos
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Margem financeira foi afetada por linhas emergenciais e mudanças regulatórias no cartão O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Jr., afirmou nesta quinta-feira que os resultados do banco deverão voltar, no próximo ano, para um patamar próximo ao de 2019, puxados pela normalização das despesas com provisões contra devedores duvidosos (PDD). “Considerando que não tenhamos piora no cenário de pandemia, até porque tem vacinas para ser aprovadas, temos uma visão mais construtiva”, disse o executivo em entrevista a jornalistas. Lazari destacou que o Bradesco fez, no terceiro trimestre, todo o volume de provisões que considerava necessário para atravessar a pandemia e, daqui para a frente, não haverá novos ajustes se o cenário se mantiver estável. “Obviamente que uma segunda onda [de contaminações pelo novo coronavírus] pode afetar o Brasil. O problema fiscal [também] afeta o Brasil e estamos inseridos nesse cenário”, ponderou. Valor De acordo com ele, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) continuará melhorando nos próximos trimestres, desde que não haja piora no cenário da pandemia e que a economia continue em recuperação. O executivo disse ainda que a carteira de crédito do banco deverá crescer mais do que a média do mercado neste ano e no próximo. Para 2020, o departamento de economia do Bradesco trabalha com projeção de expansão de 10% no saldo de empréstimos e financiamentos. A margem financeira também deve mostrar evolução no quarto trimestre, mas num ritmo ainda inferior ao da carteira de crédito. O cenário para 2021 é de melhora também. No terceiro trimestre, o banco teve resultado mais fraco nas operações com o mercado, enquanto a margem com clientes refletiu menor uso de cartões e cheque especial, linhas com spread mais alto. Ele disse que a margem financeira neste ano foi afetada por fatores como o aumento as linhas emergenciais do governo – que contam com spreads menores do que a linhas tradicionais – e as mudanças regulatórias no cartão de crédito e cheque especial, além de outros efeitos da pandemia. “A vida voltará ao normal e, voltando, tendência é de recuperação”, disse. “É difícil saber o ponto de equilíbrio da margem, mas estamos fazendo um trabalho para melhorá-la”. Sobre as provisões para devedores duvidosos, a expectativa é que elas sejam menores no quarto trimestre deste ano e significativamente menores em 2021 na comparação com 2020. O banco já fez R$ 11,4 bilhões em provisões adicionais para lidar com a crise, “o que nos dá bastante conforto”, disse Lazari. Ele explicou que, com a pandemia, um grande volume de recursos foi poupado por empresas e famílias, o que deverá ajudar a mitigar a inadimplência. Além disso, nas linhas emergenciais do governo há garantias. O Bradesco espera um aumento da inadimplência nos três primeiros trimestres do próximo ano, mas com pico abaixo do observado na crise de 2015-16. O timing dessa inadimplência dependerá de diversos fatores, inclusive da criação de uma vacina para o novo coronavírus. “Quem não reforçou provisões, vai ter de fazer. Com 14 milhões de desempregados, há perda natural”, afirmou o executivo em entrevista coletiva. Segundo Lazari, o Pix não afetará de maneira significativa as receitas do Bradesco em 2021. Ele reconhece que o novo sistema de pagamentos instantâneos terá efeito inicialmente em relação às transferências de pessoa física, mas que diz que a adoção será paulatina. “É difícil mensurar. Haverá redução, mas será gradual. É curva de aprendizado. Para 2021, não afetará de maneira significativa nossa receita”, disse. Ele também afirmou ver as receitas de serviços pressionadas pelo cenário econômico, mas o ganho de escala ajudará a instituição a mitigar esse impacto. As receitas de prestação de serviços totalizaram R$ 8,1 bilhões no trimestre, uma queda de 3,6% ante igual período de 2019. Sobre o segundo trimestre, elas subiram 6,5%. Por outro lado, o executivo disse que haverá forte redução das despesas nominais no ano que vem. Segundo Lazari, o banco cortou o “mato alto” em 2020 e continuará fazendo ajustes mais a fundo em 2021. Agências Os custos caíram 5,7% na comparação interanual, a R$ 11,724 bilhões, no terceiro trimestre. Houve aumento de 2,3% frente ao segundo trimestre. O Bradesco deve fechar este ano com redução de 1,1 mil agências físicas. Dessas, 700 serão convertidas em unidades de negócios, com estrutura de custos mais leves, e outras 400 serão encerradas. Nos nove primeiros meses deste ano, esses ajustes já envolveram 683 agências. A transformação em unidades de negócios permite uma redução de cerca de 30% nos custos, já que deixam de ter caixa e vigilantes e o atendimento passa a ser totalmente focado em atividades comerciais, afirmou Lazari. Para implementar esse e outros processos, o Bradesco provisionou R$ 879 milhões no terceiro trimestre, ou R$ 483 milhões se olhado o número líquido de impostos. Esse impacto é não recorrente. Além das mudanças na rede de atendimento, o banco também revisou a estrutura de escritórios. Segundo Lazari, foram fechados nove dos 11 edifícios que o Bradesco ocupava em Curitiba, remanescentes do HSBC. Outra medida citada pelo executivo é uma possível terceirização maior das centrais de atendimento e o trabalho home office desses funcionários. “Deixa de ter necessidade de um prédio que comporte 2 mil pessoas. Pensa em quanto tem de redução de água, energia, impostos”, disse.