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Marcelo Odebrecht foi demitido do grupo por justa causa, dizem fontes

Graziella Valenti

Como funcionário licenciado da companhia desde 2016, o executivo recebia um salário mensal próximo de R$ 100 mil Marcelo Odebrecht foi demitido do grupo por justa causa, segundo o Valor apurou com fontes a par do assunto. O ex-presidente da construtora e da holding, filho de Emilio Odebrecht, foi cortado hoje dos quadros da companhia. Ele constava como funcionário licenciado desde que o grupo assinou o acordo de leniência e de colaboração premiada para 77 executivos, em dezembro de 2016, com o Ministério Público Federal (MPF) e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ). Como funcionário da Odebrecht, Marcelo recebia salário mensal próximo de R$ 100 mil.

Entre os motivos listados no artigo 482 da Consolidação das Lei do Trabalho (CLT), que trata sobre justa causa, está o que aponta “ato lesivo da honra e boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, salvo em caso de legitima defesa, própria ou de outrem”.

Na edição impressa do Valor desta sexta-feira, o novo presidente da Odebrecht S.A. (ODB), Ruy Sampaio, conta que Marcelo exigiu um pagamento de R$ 310 milhões para assinar o acordo de delação, essencial para o acordo de leniência da companhia. Desse total, recebeu R$ 240 milhões, incluído aí os R$ 73 milhões relativos à multa aplicada pelo MPF como parte de sua pena.

Em outubro, Marcelo encaminhou à companhia uma minuta de auto-declaração que faria ao MPF na qual apresenta uma nova versão a respeito da delação e acusa o Ruy Sampaio de obstrução de Justiça, por não fornecer a ele documentos da empresa que solicitou, e ainda sugere que o executivo recebeu, no passado, pagamentos do departamento de operações estruturadas, que cuidava do Caixa 2 da empresa.

Sampaio, ao saber das “denúncias” apresentas por Marcelo, inclusive ao departamento de compliance da companhia, recomendou imediatamente a abertura de uma investigação sobre ele próprio, sem que nada soubesse sobre o assunto — como forme de ratificar que não tem nada com o que se preocupar a respeito de seu passado. A investigação ainda não foi concluída.

Poucos dias antes de apresentar a minuta, Marcelo esteve na empresa solicitando pagamento de R$ 40 milhões, segundo relatou Sampaio ao Valor — o que lhe foi recusado. O primogênito de Emilio Odebrecht encaminhou ontem ao MPF sua auto-declaração.

Junto com essa medida, a expectativa é que Marcelo perca também o motorista que lhe atende e ainda o advogado que cuida de sua questões na empresa.