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Marcada por pandemia e inquietação social, termina campanha para plebiscito chileno

Paula BUSTAMANTE
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Um idoso segura o cartaz escrito "Paz" durante a comemoração do primeiro aniversário dos protestos no Chile, em Santiago, em 18 de outubro de 2020
Um idoso segura o cartaz escrito "Paz" durante a comemoração do primeiro aniversário dos protestos no Chile, em Santiago, em 18 de outubro de 2020

Encerram-se nesta quinta-feira (22), em Santiago, as campanhas a favor e contra a mudança na Constituição chilena a ser votada no domingo, após alguns meses de pandemia e inquietação sobre os eventos de violência nas ruas por parte de grupos que, em sua maioria, não apoiam o plebiscito.  

Decidir realizar um plebiscito para mudar a Constituição formulada durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), com reformas democráticas, foi um marco político alcançado pela maioria dos partidos políticos - sem o apoio do Partido Comunista - em novembro passado, quando ainda fumegavam as barricadas que queimaram desde a "revolta" de 18 de outubro de 2019.

"Há muito em jogo, podemos destruir este país ao entregar uma página em branco aos mesmos políticos que estão agora e que não foram capazes de resolver nossos problemas", teme Macarena, uma mulher de 44 anos mãe de sete filhos, que participou nesta quarta-feira do encerramento da campanha que opta por rejeitar alterar a Constituição. 

Este ato reuniu cerca de 200 pessoas na localidade El Golf, no bairro nobre de Las Condes de Santiago. Lá, os partidários do 'Rejeito' se reuniram por um mês aos sábados com bandeiras chilenas - e algumas dos Estados Unidos - com medo de que o Chile "seja atirado de um penhasco como aconteceu com a Venezuela", disse à AFP Ximena Ahumada, uma bancária de 34 anos. 

A outra opção, que defende o "Aprovo", é a favor da redação de uma nova Carta Magna em substituição à que vigora desde 1980, e convocou nesta quinta-feira o encerramento da campanha em frente ao palácio presidencial de La Moneda.

Inicialmente marcado para 26 de abril de 2020, a pandemia obrigou o adiamento do plebiscito. Oito meses depois, o Chile registra mais de 13.700 mortes e tem cerca de 496.000 casos de covid-19, após um pico em maio e junho que situou o país entre os quatro mais afetados do mundo. 

"Para votar é preciso estar com saúde", foi um slogan que esteve presente nas redes sociais nos últimos meses e que repercutiu efetivamente em conseguir conter os casos da covid-19, com uma média de 1.500 contágios diários nas últimas semanas e menos de 50 mortes em média por dia. 

- Encontro com a história? -

Três dias depois da votação considerada a mais importante desde a retomada da democracia em 1990, uma pesquisa feito pelo instituto Criteria revela que 74% dos chilenos apoiam uma nova Constituição, enquanto 17% são contra em um eleitorado de cerca de 14,3 milhões de pessoas. 

No domingo, talvez o dado mais importante seja o percentual de participação eleitoral, em um país onde o voto não é obrigatório desde 2013. Em 2017, menos de 50% dos eleitores foram às urnas quando o presidente Sebastián Piñera foi eleito.

Caso o 'Aprovo' vença, será aberto um período eleitoral de dois anos e a votação para ratificar a nova Carta Magna será obrigatória. 

"Sou a favor até que a dignidade se torne habitual", diziam cartazes e grafites escritos nas paredes de Santiago. Lê-se em outra parede: "Vamos votar contra o abuso dos monopólios".  

"Eu sou contra porque não quero violência", "Meu Chile não será a Venezuela", afirmam outros. 

Reinam no país a incerteza, o medo e a esperança, em qualquer um dos setores. A maioria dos 18 milhões de chilenos, no entanto, é contra a imagem de violência que o país sul-americano registra há um ano, embora mais de 60% ainda apoiem o plebiscito visando um maior bem-estar social e um Estado mais forte.

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