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D10S, 60 anos do melhor jogador de bola deste mundo

Mauro Beting
·3 minuto de leitura
Maradona e o gol com a mão contra a Inglaterra em 1986 - FOTO: Icon Sport Getty Images
Maradona e o gol com a mão contra a Inglaterra em 1986 - FOTO: Icon Sport Getty Images

Quem mais jogou bola neste mundo desde 26 de outubro de 1863 (quando oficialmente inventaram na Inglaterra este jogo universal) é o Diego - que até no segundo nome Armando faz o que ninguém fez melhor do que Maradona neste mundo que ele ganhou praticamente sozinho em 1986 pela Argentina.

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(E eliminando com a mano del diablo e com a canhota de D10S a Inglaterra que ele tanto desgostava pela Guerra das Malvinas que seguiram Falklands, em 1982).

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Diego jogou mais bola do que Pelé. Mas Pelé é muito mais jogador do que ele e do que qualquer outro deste planeta onde o ET de Três Corações foi registrado.

Como Messi é mais jogador do que Maradona.

Ou como o próprio Diego bem definiu há alguns anos: “eu tenho mais visão do campo do que Messi. Mas ele tem mais visão de gol do que eu”.

É isso.

No par ou ímpar entre dois gênios ímpares para não dizerem únicos, eu escolheria Messi para ganhar meu jogo.

Mas pra jogar bola (e como ídolo...) eu sou mais Diego.

Se você jogar uma bola para Messi é gol. Se você jogar uma bigorna para Maradona é show.

Maradona é quem melhor jogou bola. Até por parecer uma bola. Não é gordofobia. É visual. Mesmo magrelo ele já parecia uma bola de futebol. Porque para ele, talvez mais do que para Messi, e mesmo Pelé (ainda melhor e maior e mais objetivo e mais goleador), Maradona parecia ter mais prazer de jogar bola, o que é diferente de jogar futebol.

Tudo para Maradona vira bola - em qualquer acepção. Jogue uma bigorna, um guindaste, uma caixa registradora, um celular, um palito de fósforo, um átomo, um astro, Diego Armando uma obra de arte a gente vai ver. E talvez não veja mais tamanha habilidade, talento e engenho do que o genial e genioso argentino.

Numa disputa de embaixadinhas (o que é diferente de jogar futebol), ninguém usará tanto o corpo todo e ficará tanto tempo com a bola quanto ele.

Maradona é único também por passar a impressão de que para ele mais importante do que vencer era jogar bola. Também por isso foi para o Napoli que virou Napoli muito por causa dele. Não que ele não quisesse vencer, por ele também querer demais, e querer mais do Messi na Argentina, ainda mais depois das Malvinas, ainda mais depois da ditadura.

Mas ele era diferente até nisso. Foi muito menos atleta. Foi muito menos profissional. Foi muito menos artilheiro. Foi muito menos vencedor.

Não era tão brilhante taticamente quanto Cruyff. Não foi tão goleador como Puskas que tanto parecia. Não foi tão armador e potente quanto o maior ídolo Rivellino. Não foi tão elegante quanto Zidane. Não pisava tanto na área quanto bem conhecia e fazia gols Zico. Não era mesmo um goleador como os atacantes Romário e Ronaldo. Não é tão atleta como Cristiano - e nem Pelé é mais do que o gajo.

Maradona não é Messi. Mas é D10S na Argentina por 1986. Tem uma Igreja Maradoniana pela entrega que sangra albiceleste. Tem mais idolatria lá do que Messi.

E também tem tudo isso por ser um baixinho que depois virou gordinho que parece que a gente vai encontrar no campinho ou no bar da esquina. Embora não vá ver igual lá nas quatro linhas.

Por ser quem melhor jogou bola no mundo redondo. Foi Maradona quem jogou mais bola (não futebol) do que Pelé (o Pelé do futebol) e Messi (o Pelé do século XXI).

Mas se você é terraplanista e não gosta de saudade (o que é diferente do saudosista), meus sentimentos.

Se você tem coração, você tem Maradona dentro dele.

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