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Mapa de estrelas ao redor da Via Láctea revela formato da matéria escura

·2 min de leitura

Doze fluxos de estrelas ao redor da Via Láctea foram mapeados por astrônomos que buscam compreender melhor a história e evolução de nossa galáxia. Esta é a primeira vez que uma equipe estuda uma coleção tão grande desses fluxos de uma só vez, revelando detalhes sobre a matéria escura.

Estrelas de galáxias devoradas

A Via Láctea cresceu ao longo do tempo “engolindo” outras galáxias menores em órbita. Nesse processo, elas são dilaceradas antes de serem absorvidas, e alguns fluxos de estrelas dessas galáxias acabam por manter uma certa órbita, que os astrônomos podem identificar.

Esses fluxos ainda orbitam a Via Láctea em uma região conhecida como halo galáctico, uma área gigantesca ao redor de galáxias espirais como a nossa, onde a matéria escura parece repousar.

Nem todos os fluxos são restos de galáxias engolidas, no entanto. Alguns deles são aglomerados globulares de estrelas e, embora possam ser parecidos, os dois tipos de fluxos revelam informações diferentes sobre a matéria escura.

O coautor do estudo Geraint F. Lewis, da Universidade de Sydney, comparou isso com uma árvore de Natal. "Em uma noite escura, vemos as luzes de Natal, mas não a árvore em que estão enroladas. Mas a forma das luzes revela a forma da árvore. É o mesmo com fluxos estelares - suas órbitas revelam a matéria escura”.

Mapeando 12 fluxos de uma só vez

(Imagem: Reprodução/James Josephides/S5 Collaboration)
(Imagem: Reprodução/James Josephides/S5 Collaboration)

Até hoje, os astrônomos estudaram os fluxos focando em apenas um deles de cada vez. O novo estudo é o primeiro a analisar e mapear uma grande quantidade. O estudo é parte de um programa chamado Southern Stellar Stream Spectroscopic Survey (S5), liderado por Ting Li, professora da Universidade de Toronto e principal autora do artigo.

Esse programa tem como objetivo medir as propriedades dos fluxos estelares e conta com uma colaboração internacional para medir as velocidades das estrelas usando o Telescópio Anglo-Australiano (AAT), de 4 metros, na Austrália.

De acordo com Li, as novas observações são essenciais para determinar como nossa Via Láctea surgiu no universo após o Big Bang. "Para mim, esta é uma das questões mais intrigantes, uma questão sobre nossas origens finais", disse Li. "É a razão pela qual fundamos a S5 e construímos uma colaboração internacional para resolver isso".

Novas medições de fluxos estelares serão realizadas pela S5, e Li espera que muitos estudos dedicados à mesma tarefa aconteçam na próxima década. "Somos pioneiros e desbravadores nesta jornada. Vai ser muito emocionante!", disse. O estudo foi aceito para publicação no Astrophysical Journal da American Astronomical Society.

Fonte: Canaltech

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