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Mapa 3D revela marcas deixadas pela era glacial nas profundezas do Mar do Norte

·2 minuto de leitura

Pela primeira vez, cientistas conseguiram observar em riqueza de detalhes as marcas deixadas para trás durante as eras glaciais de milhares de anos escondidas algumas centenas de metros abaixo do Mar do Norte. Chamadas “vales em túnel”, essas marcas foram escupidas pela água liberada no descongelamento dessas geleiras e oferecem uma oportunidade única de entender, inclusive, como funciona o atual derretimento de gelo decorrente do aquecimento global.

Através da técnica chamada sismologia de reflexão, uma equipe de pesquisadores conseguiu observar grandes vales escupidos por rios subglaciais, escondidos no fundo do mar do Norte. O geofísico James Kirkham, da British Antarctic Survey, explicou que a origem desses canais não foi resolvida por mais de um século e as novas descobertas ajudarão a entender melhor o recuo contínuo das atuais geleiras na Antártida e Groenlândia.

(Imagem: Reprodução/James Kirkham/BAS)
(Imagem: Reprodução/James Kirkham/BAS)

A tecnologia baseada na sismologia de reflexão depende das vibrações propagadas no subsolo para elaborar uma imagem da densidade até profundidas significativas. À medida que as ondas sonoras são enviadas em direção ao fundo do mar, os hidrofones capturam os reflexos enquanto tais ondas ricocheteiam as estruturas das mais variadas densidades. Os pesquisadores, então, limparam e analisaram os dados em 3D de alta resolução para construir um mapa em camadas de paisagem antiga.

O equipamento conseguiu observar camadas a mais de 300 metros de sedimentos no fundo do mar, capaz de capturar estruturas tão pequenas quanto 4 metros. Com isso, o novo mapa é o mais detalhado e completo dos vales abaixo do Mar do Norte. Cerca de 19 canais transversais entre 300 e 3.000 metros de largura foram registrados. A partir da morfologia desses vales, os pesquisadores concluíram que eles foram formados pela água de degelo que escorre por baixa de camadas mais antigas de gelo.

(Imagem: Reprodução/James Kirkham/BAS)
(Imagem: Reprodução/James Kirkham/BAS)

A geofísica Kelly Hogan, também da British Antarctic, explicou ser muito difícil observar o que acontece por baixa das atuais geleiras do mundo, inclusive como a água e os sedimentos se movem por ali. "Como resultado, usar esses canais antigos para entender como o gelo responderá às mudanças nas condições de um clima que aquece é extremamente relevante e oportuno", acrescentou Hogan.

A equipe espera que as próximas pesquisas na região realizem perfurações rasas para demarcar com maior precisão a cronologia desses vales, além de coletar uma faixa mais ampla de dados sísmicos. Essas informações serão cruciais para desenvolver modelos melhores sobre os sistemas hidrológicos das camadas de gelo antigas e, assim, aplicar este conhecimento ao atual cenário de degelo.

A pesquisa foi integralmente publicada na revista Geology.

Fonte: Canaltech

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