Mantega se reúne com investidores nos EUA para programa de infraestrutura

Nova York, 26 fev (EFE).- O ministro da Fazenda Guido Mantega se reuniu nesta terça-feira com investidores em Nova York para atrair capital para o programa de infraestrutura lançado pelo governo com um valor total de US$ 235 bilhões.

"Este é o maior programa de infraestrutura no Brasil nas últimas décadas", disse Mantega na abertura do seminário "Brasil: Fórum de Infraestrutura 2013: Projetos, Instrumentos de Financiamento e Oportunidades", que aconteceu no hotel Westin de Manhattan e do qual também participou o embaixador nos Estados Unidos, Mauro Vieira.

O ministro detalhou que o plano inclui a construção de 7.500 quilômetros de estradas, 10 mil quilômetros de ferrovias, um trem de alta velocidade entre Rio de Janeiro e São Paulo, dois aeroportos internacionais, além de vários regionais, e concessões na área de petróleo e gás, entre outros temas.

"Estes projetos oferecem segurança e rentabilidade", disse o economista, que calculou em pelo menos 10% o rendimento destes investimentos.

Sem contar com os trabalhos em infraestrutura necessários para a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil busca um investimento de US$ 121 bilhões em estradas, ferrovias convencionais e de alta velocidade, portos e aeroportos, outros US$ 74 bilhões em energia e US$ 40 bilhões na área de petróleo e gás.

"O programa coloca a infraestrutura como peça fundamental para estimular o crescimento da economia brasileira", disse Mantega, que também viajará para Londres para se reunir com possíveis investidores no próximo dia 1º de março e deverá fazer o mesmo em algumas cidades asiáticas.

O ministro garantiu que o Brasil não tem capacidade para financiar este projeto ambicioso e necessitará de recursos externos, por isso, disse que o país está implementando uma série de medidas para "estimular o investimento estrangeiro", como a emissão de notas promissórias de infraestrutura livres de impostos.

Mantega lembrou, além disso, que o Brasil vem se esforçando nos últimos anos para acabar com três "fontes de distorção" que tornam o país "menos competitivo": as elevadas taxas de juros (agora no mínimo histórico de 7,25%), a volatilidade das taxas de câmbio e a alta carga tributária.

O ministro disse que a economia brasileira é "sólida" e reafirmou a estabilidade fiscal do país, que no ano passado contava com um déficit do 2,5%, reduziu sua dívida para 35,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e se encontra no terceiro lugar do mundo em termos de transparência fiscal.

Por outro lado, garantiu que a luta contra a inflação é sua "prioridade número 1", e disse que o país viu uma "desaceleração" da inflação, que em 2012 ficou em 5,8%, acima da meta de 4,5% fixada pelo Banco Central, mas dentro da margem de tolerância de dois pontos percentuais.

Na última segunda-feira, o presidente do Banco Central Alexandre Tombini participou de uma conferência com investidores em Nova York na qual reconheceu que "a inflação foi mais resistente" do que gostaria nos últimos meses. Entretanto, o chefe do BC disse que está prevista uma redução nos índices para o segundo semestre deste ano. EFE

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