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Mansueto nega saída do cargo e diz que acumularia posto no Conselho Fiscal

Lu Aiko Otta

Secretário do Tesouro Nacional vê embates na equipe econômica como naturais, destaca melhora fiscal no ano e vê necessidade de evoluir sem receitas extraordinárias O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, negou há pouco que esteja de saída do governo. Negou também estar em rota de colisão com o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues. Ambos concederam entrevista lado a lado para afastar rumores de divergências.

Mansueto disse que, se for assumir um posto no Conselho Fiscal da República, o fará de forma cumulativa com a Secretaria do Tesouro. A criação do colegiado foi incluída no pacote de reformas do pacto federativo apresentada pelo Ministério da Economia recentemente.

O secretário pontuou que há um ambiente de duro debate dentro do Ministério da Economia, o que considera salutar. “Eu e Waldery brigamos várias vezes, temos debate técnico profundo”, afirmou.

Mas é o tipo de embate de ideias saudável, como houve com a equipe de governo anterior, da qual Mansueto também fez parte. “É esse espetáculo de secretário que temos e precisamos dele”, disse Waldery.

Fiscal

Assim como antecipou ao Valor, o secretário afirmou que os resultados das contas públicas vão encerrar o ano em situação muito melhor do que o esperado no início do ano.

O governo vai encerrar o ano com um déficit primário da ordem de 1% do PIB em suas contas, quando o esperado era 1,9% do PIB, e o déficit nominal deverá ficar em 6% do PIB ou menos, quando o esperado era 7% do PIB. A dívida ficará na casa dos 77% do PIB.

“Significa que está tudo resolvido? Não, porque estamos usando muitas receitas extraordinárias”, afirmou.

Ele acrescentou que os desafios ainda são muitos e que é necessário manter a prudência. Um eventual descumprimento da regra do teto colocaria a perder cenário positivo gerado pela melhora nas contas públicas.

Entre as receitas extraordinárias, ele citou os pagamentos do BNDES, que deverão chegar a R$ 123 bilhões este ano, quando o esperado inicialmente eram R$ 26 bilhões. Nos próximos dias, o banco deverá pagar mais R$ 30 bilhões ao Tesouro. Também são aguardados pagamentos de Caixa e BNB.

Na semana passada, o governo liberou R$ 55 bilhões, dos quais R$ 34 bilhões foram pagos à Petrobras e R$ 21 bilhões, para ampliação de pagamentos, inclusive dos ministérios. Mansueto acredita que esses gastos não serão todos realizados, de forma que deve aumentar o saldo de restos a pagar.

Por outro lado, o governo pretende cancelar R$ 17 bilhões em restos a pagar pendentes desde antes de 2016. Só ficarão fora desse corte os gastos com saúde e as emendas impositivas de parlamentares.