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Mandetta diz que fica, endossa Bolsonaro e sai sem responder a perguntas

Rafael Bitencourt
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Ministro da Saúde defendeu medidas de isolamento menos rígidas, em linha com o presidente O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, indicou nesta quarta-feira que deverá ceder ao apelo do presidente Jair Bolsonaro pela implementação de um modelo de “isolamento vertical” para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus. Para Mandetta, antes de “fechar tudo”, o país precisa observar o avanço da transmissão do vírus no país. Segundo ele, a medida de “lockdown” pode ser antecedida de ações relacionadas à redução de mobilidade, como impedir a interação social apenas em alguns bairros, por exemplo. “Saímos praticamente do início dos números para um efeito em cascata de decretação de lockdown em todo território nacional, em paralelo”, disse, referindo-se à decisão dos governos estaduais de impor medidas de isolamento como se “tivéssemos todos em franca epidemia”. Em linha com a posição do presidente, Mandetta afirmou que postura assumida por governadores pode prejudicar a atividade econômica, inclusive o trabalho do próprio sistema de saúde. “Isso causa uma série de transtornos”, comentou o ministro, logo após o balanço dos casos de covid-19 no país. Se antecipando a questionamentos da imprensa, ele minimizou o possível desentendimento com Bolsonaro. “Não vamos mudar nenhum milímetro de nosso foco de proteção à vida”, disse. Mandetta, que não ficou para responder a perguntas de jornalistas, comentou os rumores de que poderia deixar o governo após o pronunciamento de Bolsonaro em rede nacional, na noite de terça-feira, e declarações na manhã desta quarta, em frente ao Palácio do Alvorada. “Hoje, especularam se o ministro vai sair, não vai sair. Vou deixar muito claro: eu saio daqui na hora que acharem que não devo trabalhar. O presidente que me nomeou. [Só saio] se estiver doente ou achar que todo o período de turbulência passou e não sou mais útil”, afirmou. O ministro da Saúde ainda disse que vê uma “grande colaboração” na fala de Bolsonaro: a mensagem de que “é preciso pensar na economia”. Evolução da pandemia no país Mandetta afirmou ainda que, na véspera de completar um mês do primeiro caso confirmado de coronavírus (covid-19) no Brasil, é possível dizer que a evolução da pandemia está dentro da expectativa dos técnicos da pasta. O balanço de hoje indicou o aumento de infectados de 2.201 para 2.433. Mandetta afirmou que, com o início do uso disseminado dos testes rápidos para covid-19, haverá um forte aumento dos registros de pacientes infectados. Porém, a taxa de letalidade “cairá muito”. Hoje, este percentual está em 2,4%. Para o ministro, já era esperado que o Amazonas, que registrou a primeira morte decorrente da covid-19 nesta quarta, puxasse a região Norte com maior número de casos confirmados, por ser “grande metrópole”. Por outro lado, o Acre, com 23 casos, chama atenção por ser um Estado com baixa densidade populacional. A situação do Ceará, com o terceiro maior número de infectados no país, está sendo analisada. Para ele, o aumento abrupto pode estar relacionado ao fato do sistema de saúde estadual ter uma vigilância bastante “sensível", com atenção primária bem estruturada, e, por isso, estaria sendo realizado uma grande quantidade de testes com pacientes suspeitos. Mandetta considera que o Rio Grande do Sul, outro Estado a ter o primeiro óbito relacionado ao novo coronavírus, também gera preocupação. Os motivos são dois: grande quantidade de idosos e a proximidade do inverno. Na região Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro, continuam preocupando os gestores da área de saúde por conta da concentração populacional.