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Manchester City é banido da Champions por violar regras financeiras

Carlo Cauti
Manchester City é banido da Champions por violar regras financeiras

O Manchester City foi banido nesta sexta-feira (14) das próximas duas edições da Champions League. O time de futebol britânico sofreu a punição por ter violado o "fair-play financeiro". Ou seja, ele teria desrespeitado as regras de regulamentação contábil previstas pela UEFA.

A entidade que regulamenta o futebol europeu informou, através da Câmara Adjudicatória Independente do Organismo de Controle Financeiro de Clubes (CFCB),  que "considerando todas as evidências, constatou que o Manchester City cometeu violações dos Regulamentos de Licenciamento de Clube e Jogo Financeiro da UEFA" e exagerou "sua receita de patrocínio em suas contas e nas informações de equilíbrio enviadas à UEFA entre 2012 e 2016".

As regras do Fair Play Financeiro (FPF) proíbem que clubes recebam recursos ilimitados por meio de acordos de patrocínio inflados com organizações ligadas a seus proprietários. Caso essas regras sejam violadas, os times podem ser proibidos de participar de competições europeias.

Na nota, a UEFA salientou que "o time não colaborou". O atual campeão da Premier League britânica também recebeu uma multa de 30 milhões de euros (cerca de R$ 150 milhões). Entretanto, ainda cabe recurso junto ao Tribunal de Arbitragem do Esporte (CAS).

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Quem levantou o caso foram os documentos do Football Leaks, que mostraram como o Manchester City teria violado as regras em 2014. As fraudes contábeis previam um aumento das receitas de contratos de patrocínio, para evitar dessa forma a exclusão das competições europeias.

"A investigação se concentrará em várias alegadas violações do FPF que foram tornadas públicas recentemente em vários veículos de mídia", informou a UEFA em nota.

Entre esses casos, estão as cerca de 68 milhões de libras que os proprietários do time teriam depositado em suas contas, mas que teriam sido declarados como "patrocínio". Nessa operação foi inserido no balanço um valor pago da Etihad Airlines, que entretanto teriam sido pagos pelo Abu Dhabi United Group, que é ligado ao sheik Mansour, controlador do clube.

Algo proibido pelas regras contáveis da UEFA. No mesmo ano, o Manchester City foi condenado a pagar uma multa de 49 milhões de libras pela irregularidade.

Resposta do Manchester City

O time respondeu com um comunicado divulgado em seu site na internet: "O Manchester City saúda a abertura de uma investigação formal da UEFA como uma oportunidade para colocar fim à especulação resultante de um hackeamento ilegal e de uma publicação fora de contexto dos emails do City".

Segundo a equipe liderada por Pepe Guardiola, "as acusações de irregularidades financeiras são inteiramente falsas. A publicação das contas do clube é completa e uma questão de registro legal e regulatório."

O Manchester City é de propriedade do City Football Group, uma holding controlada por 87% pelo Abu Dhabi United Group. O restante 13% é de propriedade do consórcio China Media Capital. O Abu Dhabi United Group controla também outros clubes na Europa.