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Mancha solar tem tamanho de 10 Terras enfileiradas

·3 minuto de leitura
Mancha solar tem tamanho de 10 Terras enfileiradas
Mancha solar tem tamanho de 10 Terras enfileiradas

Por Gilberto Dumont*

Neste exato momento, se você puder observar o Sol – com filtro solar específico – irá testemunhar algo simplesmente fantástico: uma mancha solar que caberiam 10 Terras enfileiradas dentro dela. Na verdade são três manchas principais, batizadas como AR 2835, 2836 e 2837, sendo a AR 2835 a maior de todas elas.

Estas manchas são resultado de uma enorme região ativa ocorrendo no Sol exatamente agora. A mancha surgiu no limbo leste do Sol há alguns dias, e vem crescendo desde então.

Alheio ao pandemônio que ocorre na Terra neste momento devido à pandemia, o Sol adentra em seu novo ciclo climático. Estes ciclos solares ocorrem aproximadamente a cada 11 anos, e desde o final do ano passado vem aumentando a ocorrência das chamadas manchas solares caracterizando o novo ciclo, de número 25, com previsões para sua máxima atividade em 2024.

Assista:

À medida que a atividade solar aumenta, mais manchas cruzam a superfície do Sol, originando explosões com ejeção de massa coronal ou o lançamento de radiação e partículas carregadas pelo sistema solar. As manchas se caracterizam por regiões localizadas na fotosfera solar, formadas por zonas irregulares de plasma e que são contidas por um forte campo magnético.

Essa contenção magnética faz com que o plasma apresente temperatura menor que o restante da fotosfera e consequentemente, menos brilhante. Enquanto na fotosfera a temperatura chega a atingir 5 mil graus, as manchas solares apresentam temperaturas até 2 mil graus mais baixa.

Apesar de serem comuns, as manchas de maior tamanho normalmente apresentam características magnéticas bastante complexas, capazes de produzirem explosões solares de forte intensidade, aumentando a possibilidade de ejeções de massa coronal dirigidas à Terra. O efeito disso aqui varia entre a ocorrência de auroras boreais, interferências no nosso sistema de satélites e até mesmo o desligamento da rede elétrica no solo, como o que provocou um apagão no Canadá em 1989. Mas não há motivo para preocupação, já que as manchas são comuns de serem presenciadas e observatórios solares no espaço realizam o contínuo monitoramento do Sol.

Leia mais:

Os registros feitos pelo Observatório de Astronomia de Patos de Minas utilizaram de dois telescópios e câmeras distintas, sendo um telescópio com campo para todo o disco solar e outro com uma maior distância focal, proporcionando um grande aumento sobre as manchas, além de um filtro solar Thousand Oaks. As fotos e vídeos foram registrados ao meio-dia desta quarta-feira, 30 de julho (2021).

O sistema de nomenclatura das manchas utiliza um número sequencial atribuído a uma região ativa detectada. Esta numeração iniciou-se em 5 de janeiro de 1972 e desde então a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), dos EUA, ficou responsável por essa organização.

Assim, o nome do grupo de manchas é composto da inicial “AR” (Active Region), seguida de um bloco de quatro números. Em 14 de junho de 2002 a NOAA chegou ao número 10000 e para manter a compatibilidade com o padrão adotado, resolveu-se suprimir o quinto dígito. Assim, a mancha solar AR2104 é na realidade AR12104, ou seja, já ultrapassamos de 12 mil manchas catalogadas pela NOAA.

*Gilberto Dumont, do Observatório Astronômico de Patos de Minas

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