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MAM lança projeto ‘Supernova’ para promover mostras de artistas ainda pouco conhecidos

·3 minuto de leitura

Uma supernova consiste, de modo resumido, na poderosa explosão de uma estrela e tem como consequência o surgimento de algo novo no espaço. Sob a gravidade da Terra, entre as paredes do MAM, uma detonação criativa está prestes a acontecer, e o nome “Supernova” não soou exagerado aos curadores do museu na hora de batizá-la. Trata-se de um projeto inédito, cujo mote principal é levar para dentro da instituição artistas visuais de diferentes regiões, idades e gêneros, num esforço para tornar ainda mais plural o que é exibido nas galerias.

“Supernova” foi anunciado já com quatro nomes que vão expor em sequência. Começa com Ana Clara Tito, artista de Bom Jardim, na Região Serrana do Rio, que abre a sua mostra “O que se degrada segue em frente”, no próximo dia 9. Em seguida, estão a goiana Sallisa Rosa, em novembro; a maranhense Militina Garcia Serejo, em março do ano que vem; e a amazonense Uýra Sodoma, em setembro do mesmo ano.

“Alguns desses artistas ainda não aparecem tanto nas galerias ou pouco circulam fora das suas cidades. Também não tiveram individuais em uma grande instituição como o MAM”, descreve Beatriz Lemos, que assina a curadoria ao lado dos diretores artísticos do museu, Keyna Eleison e Pablo Lafuente. “Ao escolhermos os nomes, pensamos nas múltiplas geografias. Afinal, nos interessam as diferentes narrativas de Brasil. Não podemos cair na cilada do ‘eixo’ e trabalhar apenas com nomes do Rio e de São Paulo.”

A presença da professora de História Militina Serejo entre os nomes anunciados traduz bem a densidade da proposta. Diferentemente dos demais artistas, que já deixaram um rastro de sua produção no Google e nas redes sociais, ainda não há esse tipo de informação associada às suas obras no ambiente virtual. Será também a primeira vez em que vai exibir seus trabalhos fora do Maranhão. Aos 59 anos, ela mora na comunidade quilombola de Mamuna, onde nasceu, e despertou a curiosidade de turistas pela maneira como ornamenta a própria casa. Salvos os eletrodomésticos, a artista preenche os espaços com materiais encontrados na natureza local, como raízes do mangue, ossos de baleia e espinhas de peixe, juntamente com objetos artesanais que guardam a tradição da comunidade. É o caso de cuias de cascos e abanadores.

Militina enxerga essa produção como uma espécie de memorial do quilombo e chama as matérias-primas de “relíquias”. Exibir suas obras no MAM, portanto, lhe soa oportuno. “Quero mostrar que o quilombo não é um local abandonado, de sofrimento, como as pessoas pensam”, diz. “É um ambiente de respeito e dignidade. Precisamos valorizar o que os antepassados nos deixaram.” Essas palavras ecoam, de certa forma, ideias de outras participantes do projeto, como Sallisa Rosa. A memória também será a tônica de sua exposição, “América”. A artista adianta que pretende relacionar a história do continente a de sua avó. “Vou trabalhar com a memória, mas também com o esquecimento.”

Ainda que a pluralidade geográfica seja uma preocupação, a distância entre os participantes e o MAM não se mede apenas por quilômetros. Ana Clara Tito, que estudou na Escola Superior de Desenho Industrial da Uerj e atualmente mora na Gamboa, afirma que, antes de ser convidada para o “Supernova”, enxergava o museu como “uma cápsula impenetrável”. “É um espaço que a minha geração de artistas negros e periféricos não frequenta muito”, diz a jovem, de 28 anos. “A primeira vez em que acessei as galerias já foi para uma visita técnica para montar a mostra.”

Parte das obras de Ana Clara usa fragmentos da construção civil para abordar “as transformações subjetivas da vida e a relação entre o corpo humano e o espaço que o humano cria para abrigar esse corpo”. Recentemente, ela realizou uma ação no próprio MAM em que dobrou 10 varas de vergalhão de 12 metros cada, as quais estarão expostas na sua individual. “Eu dobrei 120 metros em uma hora e meia”, descreve. Encurtar distâncias é urgente.

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