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Malha aérea da Latam é mais complementar à nossa, diz presidente da Azul

Cibelle Bouças

Empresas fecharam um acordo de compartilhamento de voos regionais no mercado brasileiro A Azul fechou um acordo de compartilhamento de voos (codeshare) no mercado brasileiro com a Latam para ampliar as conexões de seus voos regionais com capitais que são atendidas atualmente pela sua concorrente. Em teleconferência para jornalistas, John Rodgerson, presidente da Azul, disse que a escolha foi a Latam e não a Gol porque tem menos sobreposição de voos com a Latam do que com a Gol.

“Além de ter menos sobreposição, a Latam atende mais destinos fora do Brasil. Nossas malhas se complementam dentro e fora do país. Foi natural juntar as ofertas”, afirmou Rodgerson.

John Rodgerson, presidente da Azul, diz que companhias aéreas buscam receita adicional

Ana Paula Paiva/Valor

O acordo de codeshare inclui, inicialmente, 50 rotas não sobrepostas que ligam as cidades de Brasília, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Campinas, Curitiba e Guarulhos.

Abhi Shah, vice-presidente de receitas da Azul, disse que com a parceria com a Latam, a Azul terá oportunidade de ampliar a oferta de voos em cidades menores e destinos regionais e, futuramente, para destinos na América do Sul e em voos intercontinentais.

“Existe possibilidade de criarmos uma oferta muito mais abrangente para os clientes”, afirmou Shah. No curto prazo, o plano das companhias é compartilhar voos em destinos dentro do Brasil.

Shah disse ainda que as empresas vão fazer alguns ajustes em seus sistemas de vendas e espera começar a venda conjunta de algumas rotas a partir de agosto. O executivo disse que é possível que o acordo evolua para um codeshare internacional.

“Vamos falar com os parceiros estrangeiros, mas acredito que irão aprovar. O acordo é bom para todos. O que as empresas estrangeiras querem é mais conectividade dentro do Brasil, e vamos ter com o acordo mais conexões”, disse Shah.

A Azul informou que não pensa em uma futura fusão com a Latam Airlines.

“Nosso prato está bem cheio agora com tudo o que temos para fazer durante a pandemia. Não temos plano de fusão”, afirmou Rodgerson. A empresa contratou no mês passado os escritórios Galeazzi e TWK para auxiliar a aérea na renegociação de dívidas com credores e para desenhar um plano de operação durante a pandemia.

A Latam Airlines, por sua vez, pediu recuperação judicial nos Estados Unidos, envolvendo dívidas de quase US$ 18 bilhões. O grupo também enfrenta dificuldades para arcar com suas dívidas durante a pandemia, que levou as empresas a reduzir em mais de 90% os seus voos em abril. A retomada de voos e da demanda tem sido lenta deste então.

Questionado sobre disputas entre as empresas no passado, que levaram inclusive a Azul a se desfiliar da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Rodgerson disse que as brigas foram superadas. “Nós tivmos uma briga sobre ‘slots’ em Congonhas no ano passado, o que é natural, porque ambas empresas estavam lutando pelos ‘slots’”, disse o executivo.

Rodgerson acrescentou que não tem planos de voltar para a Abear. “Temos um entendimento de que a Abear defende os interesses da Gol e da Latam. Voltar não está em discussão no momento”, afirmou.

Ajuda

O presidente da Azul disse que a crise provocada pela pandemia de covid-19 levou as empresas a sentarem para discutir mecanismos de geração de receita adicional no momento. O acordo com a Latam foi assinado ontem e não tem um prazo mínimo de duração.

A Azul espera concluir em breve acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para receber o pacote de socorro que prevê um financiamento de até R$ 2 bilhões por empresa aérea. O recurso será fornecido pelo BNDES e um grupo de bancos privados.

Ontem, a Embraer anunciou a conclusão de um acordo de financiamento com o BNDES de US$ 600 milhões. A fabricante faz parte das empresas contempladas no pacote. Rodgerson disse acreditar que o recurso será liberado em breve. O executivo acrescentou que considerou a ajuda do governo “muito humilde”.

“A TAP acabou de receber 1,2 bilhão de euros de ajuda do governo português. Uma empresa menor que Gol, Latam e Azul recebe mais apoio de um país menor do que o Brasil. A arrecadação de impostos do setor aéreo é importantíssima para o governo. Além disso, o governo está emprestando um dinheiro que vai receber de volta com juros altos, não é uma doação. É um empréstimo que vai trazer grande retorno para os brasileiros”, criticou o executivo.

Procurada, a Latam Brasil também informou que ainda discute detalhes do pacote de socorro com o BNDES.