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Malcom esquece racismo e lesões no Zenit: “Quero fazer história aqui"

Um dos poucos jogos de Malcom com a camisa do Zenit. Foto: Anatoliy Medved/Icon Sportswire via Getty Images

Por Fábio Paine, de Moscou

Principal contratação do Zenit para a temporada 2019/20, Malcom ainda não teve a oportunidade de mostrar a que veio. Foram apenas dois jogos, 62 minutos e uma lesão no tendão da coxa esquerda em agosto que o obrigaram a passar por um cirurgia.

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Aos poucos está voltando a melhor forma física, mas ainda admite estar longe do ideal após alguns amistosos na pausa de inverno da Liga Russa. Sua meta é chegar quase 100% ao dia 29 de fevereiro, quando a liga russa retorna e o time de São Petersburgo enfrenta o Lokomotiv em casa. 

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Nesta entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes, o atacante brasileiro fala sobre o desejo de voltar aos gramados, marcar gols e ganhar títulos pelo Zenit.

Falou também que não se importa com notícias e fofocas sobre racismo, como as que surgiram após a sua estreia em jogo diante do Krasnodar devido a uma faixa na arquibancada.

"Vim aqui para ajudar. São pessoas más no meu ponto de vista, mas estou bem tranquilo", afirmou.

Como está a sua expectativa para a volta aos gramados em um jogo oficial?

Minha vontade é sempre estar jogando, mas sei que não estou 100% ainda. Sei que preciso melhorar fisicamente. Agora com estes amistosos, estou ganhado minutos, e com isso tudo vai a acontecendo passo a passo até chegar ao dia 29.

Qual foi o tamanho de sua frustração por ter se lesionado logo em seu segundo jogo e não ter podido ajudar a equipe na Champions League?

Foi muito frustrante porque cheguei aqui com o intuito de jogar a Champions, ajudar meus companheiros e poder dar alegria para torcida do Zenit. Mas são coisas que acontecem, coisas que não podemos pensar, porque se pensa acaba acontecendo. São coisas que tem de deixar de lado e pensar para frente. Aconteceu, eu me lesionei, mas agora estou preparado para jogar. Espero poder fazer isso o mais rapidamente possível.

Quais foram os momentos mais complicados desta recuperação?

Quando me lesionei, eu não sentia dor. Então o mais complicado foi após a cirurgia, foi dolorosa e ainda fiquei por uns 14, 15 dias com pontos, sem poder mover a perna. Esta com certeza foi a fase mais difícil. Logo depois com a equipe médica e de fisioterapia aqui do Zenit comecei a trabalhar em São Petersburgo e me liberaram para ir ao Brasil. Parte da reabilitação ocorreu na base de Corinthians sob a supervisão da equipe médica da Zenit, porque as condições climáticas lá são melhores e eu estava perto de casa, e depois fui para Dubai (em janeiro). Ali já estava sem dor. Agora já estou podendo fazer o que mais gosto, que é estar com os companheiros, treinando, participando de amistosos, tendo minutos em campo. 

Durante sua recuperação você passou um tempo no Corinthians. Qual a sua relação com o clube e ainda tem desejo de jogar lá de novo no futuro?

O Corinthians foi meu clube formador e minha relação é top com o presidente, diretores e com o Coelho, que era o técnico quando me tratei lá. Por isso, me deixaram usar todas as instalações e isso foi muito bom para mim, inclusive podendo usar um campo ótimo. Além disso, fazia calor e ajudou bastante a transpirar e perder peso que ganhei com toda a comida que comi neste tempo parado. 

Por causa desta lesão você não pôde disputar o Pré-Olímpico. Agora, com o Brasil classificado, tem desejo de jogar a Olimpíada? 

Primeiro eu penso em voltar a jogar e ajudar o meu clube. Depois sim, vou pensar nesta convocação para a Olimpíada. Agora, o foco é total no Zenit e depois o que vier será naturalmente. Eu prefiro não ficar falando e sim mostrar dentro de campo. Quem sabe, com isso eu seja lembrado para a Olimpíada.

E quanto à seleção principal? Acha que mesmo jogando na Rússia tem chances de ser convocado? O último a atuar aqui e ser chamado foi o Giuliano e nem para a Copa foi. Acha que o Tite acompanha o futebol russo?

O Tite acompanha todas as ligas, não importa onde seja. Ele está de olho em todos os campeonatos e sabe o potencial de cada jogador. Então, isso eu deixo para ele. O Hulk quando estava aqui, sempre foi para a seleção. Por isso, eu não vejo nenhum tipo de problema. O Zenit é um grande clube, disputa a Champions. O Campeonato Russo é um bom campeonato. É apenas fazer um bom trabalho e tudo acontece.

Acha que foi positivo ter deixado o Barcelona? O que mais te marcou e o que mais você aprendeu neste período lá?

No Barcelona, aprendi muita coisa como profissional, tanto dentro quanto fora de campo. Foi fundamental conviver com os melhores do mundo. Espero que tudo que tenha aprendido lá, sirva para poder ajudar o Zenit.

Como é o ambiente no Zenit? Sabemos que há muitos latinos e alguns russos até tentam falar uma palavra ou outra em espanhol. E você, pensa em aprender russo?

O ambiente é excelente. Eu começo a entender bem pouco: jogar para frente, para trás, algumas poucas palavras. Mas aos poucos, sei que com esforço, conseguirei aprender. Isso é muito importante, também faz parte da minha carreira o futebol.

Quão importante é ter um brasileiro na comissão técnica?

É muito importante, porque quando não entendo nada do que estão falando, procuro sempre estar perguntando parta ele, para ficar totalmente claro o que querem. O William ajuda muito tanto eu quanto o Douglas (Santos, lateral). Está sempre disposto a ajudar e traduzir tudo que o treinador fala.

N.R. - O brasileiro William Artur de Oliveira trabalha como assistente do técnico Sergey Semak.

Como você viu a repercussão deste vídeo no qual acerta acidentalmente uma bolada no árbitro no jogo contra o Dinamo Moscou?

Este vídeo ficou divertido, porque é difícil um jogador acertar e aconteceu comigo. Mas eu prefiro não falar muito, se não podem acabar me penalizando. Às vezes isso pode irritar os árbitros e um deles tirar um cartão vermelho sem eu ter feito nada. Mas sim, este lance ficou muito engraçado, repercutiu no mundo todo. Mas não tem mutio que falar, agora tomara que os árbitros não levem para outro lado. Foi mesmo um acidente.

O Zenit tem uma grande vantagem na liderança do Campeonato. Como vê as chances de serem campeões?

Temos de seguir fazendo nosso trabalho, tudo o que o treinador pede. Não tem muito segredo. O ambiente aqui é muito bom e estramos muito focados tanto no Campeonato quanto na Copa (está nas quartas de final. Se fizermos tudo certinho, é bem provável que ganhemos os dois campeonatos. 

N.R. - O Zenit tem dez pontos de vantagem sobre o vice-líder Krasnodar a 11 rodadas do fim.

Depois de seu primeiro jogo contra o Krasnodar, começou a repercutir em todo o mundo, e principalmente no Brasil: havia rumores de racismo por causa de uma pequena faixa na arquibancada. O que você sentiu? Acha que existe muita propaganda negativa contra a Rússia neste aspecto e não é pior por exemplo do que acontece na Itália ou na Espanha, por exemplo?

Eu sempre vou falar a verdade, e sou bem claro nas entrevistas. Se tiver algum gesto racista, eu não estou nem aí. Eu vim aqui para ajudar o Zenit. Se um ou dois torcedores não me querem, não são eles que vão fazer eu não ficar aqui. Vim aqui para ajudar. São pessoas más no meu ponto de vista, mas estou bem tranquilo. Estou bem focado no que quero. Quero fazer historia, fazer muitos gols, ganhar títulos e fazer história na Champions League. São Petersburgo é uma cidade verdadeiramente europeia e bonita, fui muito bem recebido pela equipe e pelos seus torcedores. Estou feliz por estar aqui.

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