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Maksoud foi cenário de filmes e novelas e marcou cultura de SP

·3 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Acostumada com hotéis antigos e sisudos, quase todos no já decadente centro da cidade, São Paulo não estava preparada para o Maksoud Plaza.

A torre imponente nas cercanias da avenida Paulista já era um sinal do deslocamento do eixo financeiro e cultural da cidade rumo à região dos Jardins, mas o impacto maior se dava dentro do prédio: o surpreendente átrio, um imenso vão interior para onde se abriam todos os 416 apartamentos.

O hotel criado pelo empresário Henry Maksoud se tornou uma atração turística instantânea. Naqueles dias de 1979, acorreram tantos paulistanos para conhecer de perto o projeto do arquiteto Paulo Lucio de Brito, que os elevadores panorâmicos foram vedados ao público em geral. Só os hóspedes e seus convidados poderiam andar neles, uma prática ainda incomum na época.

Extremamente fotogênico, não demorou para que o lobby passasse a ser disputado como cenário para novelas, filmes, ensaios de moda, videoclipes e campanhas publicitárias.

A cena mais famosa rodada no interior do hotel talvez seja a do suicídio de Angela Vidal, personagem de Claudia Raia na novela "Torre de Babel", exibida pela Globo em 1998. Encurralada pela polícia, a vilã da trama de Silvio de Abreu se joga de um dos andares do Maksoud Plaza, se estatelando no chão do lobby. Uma sequência forte, que provavelmente não seria mais feita nos dias de hoje.

Muitas outras produções da emissora tiveram cenas gravadas lá, como as minisséries "Avenida Paulista", de 1982, "A Mulher do Prefeito", de 2013, o remake de "Ti Ti Ti", de 2010, a novela "Haja Coração", de 2016, e a primeira temporada de "Verdades Secretas", de 2015. O Maksoud Plaza também aparece nas séries "Alice", de 2008, e "O Negócio", de 2013, ambas da HBO.

A demanda era tão grande que o hotel chegou a criar um departamento para facilitar a locação de seus espaços. Não era só o átrio que era procurado. O chamado rooftop, a cobertura, onde fica o heliponto, tem uma vista espetacular de 360 graus e apareceu recentemente em uma campanha de calçados estrelada por Juliana Paes.

É curioso perceber como o Maksoud Plaza continuava sendo visto por diretores e produtores de audiovisual como um marco da cidade de São Paulo, mesmo com seus dias de glória há muito ultrapassados.

Nas décadas de 1980 e 1990, o hotel foi um dos epicentros do agito paulistano. Em 1981, Frank Sinatra fez quatro shows exclusivíssimos no Salão Nobre do Maksoud, um ano e meio depois de se apresentar para multidões no Maracanã, no Rio de Janeiro. No ano seguinte foi aberto o 150 Night Club, que recebeu lendas do jazz como Billy Eckstine, Etta James, Bobby Short e Alberta Hunter, além de inúmeros medalhões da música brasileira.

O Maksoud Plaza ainda abrigou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em seu amplo teatro, onde também eram realizadas palestras, pré-estreias de filmes e temporadas de espetáculos teatrais. Durante muito tempo, o bar do lobby serviu de refúgio de fim de noite para artistas, socialites e intelectuais.

Nos últimos anos, o Maksoud teve um último suspiro de glória com o PanAm Club, a boate high-tech instalada no último andar, que atraiu para o hotel um público moderninho e descolado. Mas a alegria durou pouco -a balada fechou em 2017, depois que uma frequentadora se atirou do heliponto, que fazia as vezes de fumódromo.

São Paulo tem uma relação esquisita com seus estabelecimentos hoteleiros. A cada dez anos, surge um novo hotel importante, e ele se torna o salão de visitas da cidade pela próxima década, até ser desbancado por um ainda mais novo. Foi assim com o Cad'Oro, o Hilton, o Maksoud, o Unique, o Fasano.

Como se manter relevante, numa metrópole cujo centro nevrálgico está sempre se deslocando de um lugar para outro? O Maksoud Plaza até que resistiu bem, com uma programação cultural de primeira qualidade. Também se eternizou no imaginário popular, como cenário de tantos comerciais e programas de TV. Entre os hotéis paulistanos, deixa um legado único.

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