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Mais uma empresa quer levar turistas à borda do espaço com balão estratosférico

·5 minuto de leitura

Enquanto Jeff Bezos e Richard Branson se concentram em suas naves criadas para o turismo espacial, outras empresas se dedicam a desenvolver uma alternativa para este mercado em ascensão. Entre elas, está a World View Enterprises, que tem trabalhado em um sistema baseado em balão para levar humanos à estratosfera terrestre — e planeja realizar o primeiro voo no início de 2024. A proposta é parecida com a da Space Adventure, que já testou seu balão Space Neptune e até já começou a vender os ingressos.

A experiência de voo da World View garante ao passageiros uma viagem de cinco dias ao redor da Terra em uma altitude de 30.000 metros — a estratosfera tem seu limite em torno dos 50.000 metros. Durante o passeio, o balão estratosférico conduzirá a cápsula por entre algumas paisagens naturais, históricas e culturais, conforme informou a World View. "Estamos redefinindo o turismo espacial para os participantes, passando horas no apogeu, construindo memórias em torno de algumas das maravilhas mais magníficas da Terra", acrescentou Ryan Hartman, presidente e CEO da empresa.

(Imagem: Reprodução/World View Enterprises)
(Imagem: Reprodução/World View Enterprises)

A capsula de transporte, chamada Explorer, será pressurizada e terá oito assentos. Para garantir um lugar, é necessário pagar a taxa de US $50.000, bem mais em conta do que o valor de voos turísticos espaciais cobrado por outras empresas. A Wolrd View também garantiu que a viagem será tranquila o suficiente para transportar pessoas de diversas faixas etárias e condicionamentos físicos; assim, ela espera que o maior número possível de pessoas tenha acesso ao espaço.

A organização sem fins lucrativos Space For Humanity já comprou todos os assentos para o primeiro voo de estreia, que serão preenchidos por astronautas amadores — pessoas comuns que serão selecionadas e treinadas para tal. "Este é um momento inovador para o turismo espacial e estamos ansiosos para dar a mais pessoas a oportunidade de experimentá-lo por si mesmas”, informou Rachel Lyons, diretora excecutiva da organização.

Projeto reformulado

Em 2014, a Worl View anunciou o desenvolvimento de um sistema de balão e cápsula, chamado Voyager, que também levaria pessoas à estratosfera por um valor mais salgado do que a nova proposta — cerca de US $75.000 por assento. À época, a empresa alegou que decolaria com o sistema até 2016, o que não aconteceu.

(Imagem: Reprodução/World View Enterprises)
(Imagem: Reprodução/World View Enterprises)

Em 2019, dois dos co-fundadores da empresa, Taber MacCallum e Jane Poynter, criaram a Space Perspective, que atualmente desenvolve o sistema de cápsula-balão Spaceship Neptune e pretende iniciar seus voos comerciais para turistas em 2024, com passagens no valor de US$ 125 mil.

Os planos com o sistema Explorer mantêm algumas características do Voyager, como o transporte da cápsula com um balão e pouso em solo com o auxílio de um parapente. Os cinco dias de viagem por entre diversas paisagens da Terra é um dos seus grandes diferenciais e atrativos. Por exemplo, nos primeiros voos, que serão lançados a partir do estado norte-americano do Arizona, os clientes poderão contemplar o sistema de cânions mais famoso do planeta a partir da estratosfera.

Ilustração da cápsula Explorer pousando com o auxílio de um parapente (Imagem: Reprodução/World View Enterprises)
Ilustração da cápsula Explorer pousando com o auxílio de um parapente (Imagem: Reprodução/World View Enterprises)

Além do Arizona, a empresa pretende decolar a partir de outros seis locais ao redor do mundo, incluindo Austrália, Quênia, Noruega, Mongólia, Egito e até mesmo o Brasil. Os passageiros terão o conforto de acentos reclináveis, conexão de alta velocidade com a internet, câmeras para observar a Terra e telescópios, além de refeições, coquetéis e um banheiro. Cada voo também contará com o auxílio de dois funcionários da empresa, que trabalharão como guias turísticos.

Tanto a cápsula quanto o parapente do Explorer, ambos em desenvolvimento, serão reutilizáveis. A World View já realizou quatro voos de testes com o balão gigante, capaz de comportar cerca de 481 mil metros cúbicos de gás. O balão não poderá ser reaproveitado, mas, segundo a empresa, o material será reciclado em produtos que serão oferecidos às comunidades próximas ao local de lançamento.

Turismo espacial em ascensão

Atualmente, duas empresas já realizaram voos comerciais com tripulantes comuns ao espaço. O primeiro, que marcou o início do turismo espacial, foi realizada pela Virgin Galactic, empresa de Richard Branson. O seguinte foi executado pela Blue Origin de Jeff Bezos — ambos fizeram voos suborbitais com naves espaciais que alcançam uma altitude de até 100 km. Os assentos da Virgin custam US $450.000, enquanto o valor dos assentos da Blue Origin não foi revelado.

Imagem registrada durante a missão Inspiration4, da SpaceX (Imagem: Reprodução/DrSianProctor/Twitter)
Imagem registrada durante a missão Inspiration4, da SpaceX (Imagem: Reprodução/DrSianProctor/Twitter)

Já em setembro deste ano, a SpaceX lançou sua primeira missão orbital totalmente tripulada por civis — a Inspiration4 —, que conduziu uma viagem de três dias ao redor da Terra com quatro tripulantes a bordo da nave Crew Dragon. Embora o valor pago pelo líder da missão, o bilionário Jared Isaacamn, não tenha sido divulgado, estima-se que tenha custado algo em torno de US $200 milhões.

Além disso, a SpaceX programa outra missão com turistas a bordo para fevereiro de 2022 com destino à ISS, que será conduzida pela Axiom Space. Mas, antes disso, o bilionário japonês Yusaku Maezawa, que viajará ao redor da Lua em 2023, visitará a ISS. E, em 5 de outubro, chega a vez da equipe russa que produzirá na ISS o primeiro filme a ser gravado no espaço.

A World View possui uma grande experiência em voos estratosféricos com seus balões robóticos Stratollites, projetados para transportar cargas úteis durante longos períodos através de sensorialmente remoto. Ela não vê essas missões como uma disputa. “Na verdade, vejo isso como uma ampliação do ecossistema que todos nos sentimos chamados a criar", acrescentou Ryan Hartman. A empresa continuará a se dedicar aos seus Stratollites, mas espera que o Explorer se torne seu principal gerador de receitas. “Em termos de receita, o turismo espacial representará de 65 a 70% do nosso negócio”, ressaltou Hartman.

Confira abaixo um passeio virtual completo que simula a viagem aguardada pelo novo sistema:

Fonte: Canaltech

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