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Mais de um milhão de mulheres sofreram violência no Brasil desde 2010, aponta Instituto Igarapé

Rodrigo Carro

Dentro do universo de mulheres que sofreram algum tipo de violência, as negras são maioria Entre 2010 e 2017, o sistema de saúde atendeu 1,23 milhão de mulheres por terem sofrido algum tipo de violência. Os dados do Sistema Único de Saúde (SUS) foram compilados pelo Instituto Igarapé como parte do esforço de pesquisa que resultou no lançamento nesta segunda-feira da plataforma EVA (Evidências sobre Violências e Alternativas para Mulheres e Meninas). O projeto conta com o apoio da empresa Uber.

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No ar, o site permite o acesso a informações relativas a qualquer tipo de violência contra mulheres em três países: Brasil, Colômbia e México. Juntos, os três concentram 65% de todos os assassinatos de mulheres na América Latina.

“Queremos começar com três países para depois expandir para outros da América Latina”, explicou Renata Giannini, pesquisadora sênior do Instituto Igarapé. Segundo ela, a escolha recaiu sobre Brasil, Colômbia e México porque os três dispõem de dados bem estruturados sobre homicídios, tendo registrado 140 mil assassinatos de mulheres entre 2000 e 2017.

Considerando o conjunto de países da América Latina, 37% desses assassinatos ocorreram no Brasil. No país, 36% de todos os atos de violência contra mulheres foram cometidos pelo parceiro. Dentro do universo de mulheres que sofreram algum tipo de violência, as negras são maioria. Somam 57% dos casos de violência sexual e 51% nos de violência física.

Ainda no Brasil, os casos de violência contra as mulheres brancas teve incremento de 297% entre 2010 e 2017, de acordo com dados da EVA. No caso das mulheres negras, o percentual foi ainda maior: 409%.