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Mais trabalhadores jogam a toalha nos EUA em economia afetada pela pandemia

·4 minuto de leitura
Como milhões de americanos, Antonio Fernandez, de 64 anos, se viu obrigado a se aposentar antecipadamente (AFP/Francois PICARD)

Antes da pandemia de coronavírus, Antonio Fernandez, de 64 anos, imaginou permanecer em seu trabalho na empresa Chevron, em Houston, durante talvez outros cinco anos.

"Achava que tinha mais cinco anos de trabalho", disse Fernandez sobre seu emprego com a gigante do petróleo. "Não tinha muita vontade de me aposentar".

Porém, assim como em tantas outras coisas, a pandemia está refazendo as regras sobre quando se aposentar nos Estados Unidos.

Aposentar-se sendo muito idoso era uma clara tendência na era pré-pandêmica da maior economia do mundo, às vezes por preferência, mas geralmente por necessidade.

Alguns optavam por permanecerem empregados até os 70 anos para assegurar os benefícios, em um país onde os custos de atendimento médico são notoriamente altos. Em outros casos, os adultos mais velhos se viram obrigados a continuar trabalhando depois que a crise financeira de 2008 destruiu suas poupanças para a aposentadoria.

Porém, desde meados de 2020, milhões de pessoas com mais de 65 anos abandonaram a força de trabalho, geralmente antes do esperado.

Somente no mês de junho, 1,7 milhão de pessoas a mais que o esperado se aposentaram, disse Teresa Ghilarducci, pesquisadora sobre trabalho e aposentadoria na New School For Social Research de Nova York.

Depois de ser demitido no outono passado, Fernandez procurou outros empregos, mas não teve sucesso.

"Tenho sentimentos mistos", contou à AFP. Ele afirma que a empresa manteve principalmente os funcionários que ganhavam salários mais baixos, o que é uma mudança de critério em relação a outras demissões do passado.

"Embora não pareça justo, não é tão ruim para aqueles que, como eu, têm suficientes anos de trabalho, estão relativamente perto da aposentadoria e podem receber uma pensão de pagamento único impulsionada pelas baixas taxas de juros".

- "Dá medo" -

Deixar de trabalhar prematuramente também foi difícil para Brenda Bates, de 62 anos.

Depois de 43 anos de carreira em um centro de enfermaria na Flórida, seu trabalho se tornou muito mais exaustivo durante a pandemia.

Bates sofreu um ataque isquêmico transitório, uma espécie de Acidente Vascular Cerebral com efeitos a longo prazo. Depois de ter dificuldades para respirar enquanto nadava, ela discutiu as opções com seu esposo.

"Tomamos a decisão de fazer isso pela minha saúde", disse Bates.

"Antes da pandemia, pensei que trabalharia pelo menos até os 65 anos para obter o Medicare", o programa público de saúde para idosos, contou à AFP. "Amo meu trabalho, então esperava ficar pelo tempo que quisesse".

Bates está longe de ser a única que deixou o trabalho antes do esperado.

Seja por medo de um local de trabalho inseguro ou pela onda de demissões em meio à agitação econômica, "milhões de trabalhadores idosos estão se aposentando e geralmente fazem isso antes que estejam prontos", disse Ghilarducci.

"Dá medo", confessa Bates, que agora trabalha como contratada independente em uma empresa encarregada de empregar idosos.

"Você renuncia a um salário muito bom e a todos os seus benefícios. De repente, você não tem mais nada".

Embora a maioria das aposentadorias envolva trabalhadores com mais de 65 anos, mais trabalhadores de 55 anos ou mais, sem diploma universitário, também estão deixando seus trabalhos, disse Ghilarducci.

As aposentadorias dos trabalhadores negros sem diploma universitário aumentaram 9,2%, enquanto as dos trabalhadores brancos com o mesmo perfil educacional aumentaram 7,5%.

Um dos riscos das aposentadorias antecipadas é que elas aumentam a pobreza entre a população da terceira idade.

Ao mesmo tempo, alguns trabalhadores idosos se encontram em um momento relativamente bom para se aposentarem, pelo menos em comparação com as crises anteriores.

"Durante a crise financeira mundial, obviamente houve uma grande quantidade de pessoas que perderam todas as suas poupanças para a aposentadoria, e 10 anos depois ainda não podiam se aposentar", alertou Jacob Kirkegaard, membro do Instituto Peterson de Economia Internacional.

"Neste momento, a situação é o exato oposto", explicou Kirkegaard, afirmando que o mercado de ações subiu durante a pandemia junto com os preços de moradia, que despencaram depois da queda do mercado em 2008.

Mas o êxodo de trabalhadores pode ser problemático para a recuperação econômica em alguns casos, porque alguns dos que estão se aposentando são "pessoas muito experientes e altamente capacitadas", disse Kirkegaard. "E agora não estão mais disponíveis".

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