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Mais pobres eram metade do público do Museu Nacional, diz pesquisa

(jose lucena/Futura Press)

Um levantamento realizado por uma professora da Escola de Museologia da Unirio e pesquisadora do Observatório de Museus e Centros de Ciência e Tecnologia mostra que quase metade dos frequentadores do Museu Nacional entre 2017 e 2018 tinha uma renda mensal considerada baixa.

O estudo, realizado por um ano através de quase 500 questionários distribuídos, mostrou que 46% dos visitantes do local afirmaram ganhar entre 1 e 3 salários mínimos. De acordo com Andrea Costa, a pesquisadora responsável pelo levantamento, em dias de entrada gratuita a porcentagem de visitantes de classes baixas era de 56,6%. Entre abril de 2017 e abril de 2018, os visitantes não precisariam pagar a visita se entrassem uma hora antes do horário de fechamento do museu e fizessem a visita em duas horas.

Museu é visitado por mais ricos

Tradicionalmente, o público de museus é composto por pessoas de classe média e classe média alta. No Museu Nacional, no entanto, acontecia o contrário. De acordo com a pesquisadora jornalista Fernanda Guedes, que tentou explicar por que isso acontecia em sua tese de mestrado, a resposta é a localização do museu. Perto de comunidades como a Mangueira e o morro do Tuiuti, ele acabou se tornando um passeio familiar. A entrada gratuita também ajudou a popularizar o museu entre as classes mais baixas.

“O que a gente percebeu é que mudou o público do museu. Conseguimos levar para lá o público que frequentava o parque, mas não entrava no prédio. A maioria dos visitantes passou a ser de baixa renda e se declarar preto e pardo (55%)”, explicou a pesquisadora em entrevista à BBC.