Mercado fechado
  • BOVESPA

    107.557,67
    +698,80 (+0,65%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    50.918,28
    +312,72 (+0,62%)
     
  • PETROLEO CRU

    71,76
    -0,29 (-0,40%)
     
  • OURO

    1.786,70
    +2,00 (+0,11%)
     
  • BTC-USD

    50.444,80
    -200,25 (-0,40%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.304,79
    -16,49 (-1,25%)
     
  • S&P500

    4.686,75
    +95,08 (+2,07%)
     
  • DOW JONES

    35.719,43
    +492,40 (+1,40%)
     
  • FTSE

    7.339,90
    +107,62 (+1,49%)
     
  • HANG SENG

    23.995,16
    +11,50 (+0,05%)
     
  • NIKKEI

    28.751,65
    +296,05 (+1,04%)
     
  • NASDAQ

    16.363,50
    +45,50 (+0,28%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,3455
    +0,0058 (+0,09%)
     

Mais inflação e juros: elevar teto de gastos para pagar auxílio terá efeito bumerangue e prejudicará os mais pobres, avaliam economistas

·3 min de leitura

RIO - A alta do dólar e a pressão fiscal com o aumento das despesas do governo, devido à mudança no teto de gastos para pagar auxílio de R$ 400 prometido pelo presidente Bolsonaro, a pouco mais de um ano das eleições, levam bancos e consultorias a projetarem mais inflação e aumento acima do previsto nas taxas de juros. Algumas casas projetam juros acima de 10% em 2022 e o estouro da meta de inflação, além deste ano, também em 2022.

Resultado: os mais pobres, que deveriam ser os beneficiados pela medida do governo, poderão acabar sendo os mais prejudicados, pois a inflação corrói o valor do dinheiro, especialmente da população alvo do auxílio prometido. E toda a economia sofre com altas nas taxas de juros, a única alternativa do Banco Central para tentar conter os aumentos de preços, já elevados.

Veja abaixo a opinião de alguns economistas, ouvidos pelo Jornal Nacional, sobre os efeitos das recentes medidas do governo Bolsonaro, com aval do ministro Paulo Guedes.

MARCELO NERI, ex-presidente do Ipea - “Eu acho que a gente talvez não esteja fazendo nem uma coisa econômica nem social. A gente está criando uma grande incerteza, que é ruim para todo mundo. Perdem as finanças públicas, a economia, perdem as pessoas, em particular os mais pobres. Então, eu acho que a gente não está numa boa agenda nem econômica nem social. O risco é de um efeito bumerangue. O dinheiro, que deveria ajudar, acaba perdendo valor por causa da inflação".

SIMÃO SILBER, professor da USP - “As medidas que o governo anunciou nessa semana têm um efeito desfavorável sobre aqueles que vão receber o Auxílio Brasil. Por quê? Porque ao aumentar a taxa de câmbio e ter um efeito sobre a inflação, isso corrói o valor dos R$ 400 que estão prometidos pelo governo em 2022. E, obviamente, para o público em geral, não há essa avaliação de uma forma adequada, porque é um pessoal muito simples que, recebendo os R$ 400, vai perceber que a inflação subindo corroeu o poder aquisitivo desse dinheiro parcialmente. A vítima é sempre conhecida: é o cidadão brasileiro. O governo procurou um caminho populista, de segunda linha, que é muito desfavorável para o cidadão brasileiro”.

MAÍLSON DA NÓBREGA, ex-ministro da Fazenda - “O teto de gastos foi feito para limitar despesa que o governo consegue controlar e eliminar do controle da inclusão no teto de outras que ele não tem controle. O abandono da lógica do teto de gastos pode gerar dificuldades para tomar decisões de investir, tomar decisões de consumir, a taxa de juros vai subir mais. A inflação, tal como ela está hoje, prejudica essencialmente as camadas menos favorecidas, porque ela é uma inflação que afeta essencialmente alimentos e energia. Portanto, energia tem a ver com transportes. Alimento tem a ver com a cesta básica. Portanto, o pobre sofre mais.”

ZEINA LATIFF, colunista do GLOBO - “Estamos falando de uma política mal desenhada, sem nenhum esforço para contenção de gastos. Pelo contrário. A PEC dos Precatórios (usada como instrumento de última hora para mudar o teto de gastos) está aumentando ainda mais o espaço para gastos com objetivos eleitorais, o que fere a regra do jogo democrático”

ALEXANDRE SCHWARTZMAN, ex-ex-diretor de Relações Internacionais do Banco Central do Brasil - “Há outras alternativas para bancar esse programa que não envolveria toda essa gambiarra ao redor do teto. Um exemplo claro: emendas do relator. Por que a gente vai gastar R$ 20 bilhões com as emendas de relator? Por que que a gente vai manter o fundo eleitoral para esse ano? Então, a gente vai olhar para o conjunto de programas que tem no Brasil, a gente vai convencer que todos eles são meritórios e eficientes e que não tem nada para ser melhorado? Precisa ser muito ingênuo para acreditar nesse tipo de coisa”.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos