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Cinco líderes da dissidência sandinista são presos na Nicarágua

·2 minuto de leitura
(Arquivo) Dora Maria Tellez, ex-líder da guerrilha sandinista, durante entrevista à AFP em Manágua, em 18 de julho de 2012

A polícia da Nicarágua prendeu no domingo cinco reconhecidos líderes da dissidência sandinista, incluindo a ex-guerrilheira Dora María Téllez, uma das vozes mais críticas do governo de Daniel Ortega, como parte da perseguição que a oposição afirma enfrentar desde o início de junhom, informaram fontes oficiais e políticas.

O dia começou com a detenção da ex-guerrilheira Dora María Téllez e de Ana Margarita Vigil Guardián, ambas dirigentes da opositora União Democrática Renovadora (Unamos, da dissidência sandinista).

Poucas horas depois foram detidos a presidente do Unamos, Suyen Barahona Cuan, e seu vice-presidente grupo, o general da reserva e dissidente sandinista Hugo Torres.

E durante a noite foi detido o ex-vice-chanceler e agora dissidente Víctor Hugo Tinoco.

Tinoco é um sociólogo de 68 anos com uma longa trajetória na luta sandinista desde 1973, quando se integrou à guerrilha.

Ele participou em vários processos de negociação entre os sandinistas e os grupos de ex-rebeldes Contra para acabar com a guerra civil durante a revolução dos anos 1980.

A polícia disse que os detidos "estão sendo investigados por praticar atos que atentam contra a independência, a soberania e a autodeterminação, incitar a ingerência estrangeira nos assuntos internos”, entre outros crimes, segundo nota da instituição.

Em dezembro do ano passado, a Nicarágua aprovou a polêmica “Lei de Defesa dos Direitos do Povo à Independência, Soberania e Autodeterminação para a Paz”, que pune com prisão aqueles que promovem a intervenção estrangeira.

Téllez e Vigil pertencem a Unamos, formada por dissidentes sandinistas, antes conhecida como Movimento de Renovação Sandinista (MRS, centro-esquerda).

A prisão dessas líderes da oposição ocorreu depois que a tropa de choque da polícia invadiu suas residências em Manágua e permaneceu por várias horas.

A polícia informou que elas serão investigadas e, se necessário, encaminhadas "às autoridades competentes para seu julgamento e determinação das responsabilidades penais".

Téllez, de 65 anos, foi uma das comandantes das frentes guerrilheiras que lutaram contra a ditadura de Anastasio Somoza na década de 1970, e também ministra da Saúde durante a revolução sandinista nos anos 1980.

Em 1995, ajudou a fundar o MRS com dissidentes sandinistas, hoje Unamos, que faz parte da plataforma de oposição ao governo Ortega, no poder desde 2007.

Na noite de sábado, a opositora Tamara Dávila, da Unidade Nacional Azul e Branca (UNAB), também foi detida em sua casa para ser investigada por “praticar atos que comprometem a independência, a soberania”, informou a polícia.

Pelo menos uma dúzia de líderes da oposição, incluindo quatro importantes pré-candidatos à presidência, foram presos pela polícia desde 2 de junho a pedido do governo de Ortega.

bm/dga/ic/fp

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