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Mais de um terço dos alunos de 15 anos no Brasil repetiram de série ao menos uma vez, diz pesquisa

João de Mari
·2 minutos de leitura
Students wearing masks to curb the spread of the new coronavirus arrive for class at a private school in Brasilia, Brazil, Monday, Sept. 21, 2020. Private schools, closed since the second half of March due to the COVID-19 pandemic, have reopened their doors. Returning to school is optional and online classes continue for students who choose to stay at home watching classes via remote education. (AP Photo/Eraldo Peres)
Acima do Brasil, os países com maiores percentuais de reprovação são Líbano, com 34,5%; Colômbia, com 40,8% e, em primeiro lugar em reprovações, Marrocos, com 49,3% (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

Mais de um terço dos alunos de 15 anos no Brasil já repetiram de série ao menos uma vez durante toda a sua vida escolar. De acordo com um relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta terça-feira (29), 34% dos estudantes brasileiros se encontram nessa situação. O número é elevado.

Segundo relatório, este é o quarto maior percentual entre 79 países e territórios analisados pela organização. Para se ter ideia, a média mundial é de 11,9%. Acima do Brasil, os países com maiores percentuais de reprovação são Líbano, com 34,5%; Colômbia, com 40,8% e, em primeiro lugar em reprovações, Marrocos, com 49,3%.

Já os países e territórios com menos reprovações, de acordo com a pesquisa, são Islândia e Taiwan com apenas 0,9% de estudantes de até 15 anos reprovados ao menos uma vez. No Reino Unido, o índice é de 2,5%; nos Estados Unidos da América, 9,1%.

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O estudo Políticas Eficazes, Escolas de Sucesso, que é elaborado com dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), aponta que os países com menores índices de alunos reprovados têm resultados melhores em leitura, por exemplo. No Brasil, o primeiro volume de dados da avaliação apontou que o país havia ficado estagnado em leitura, e caído na avaliação em matemática e ciências.

De acordo com especialistas, repetir de ano pode levar ao desinteresse pelas aulas, podendo causar abandono e evasão. Essa preocupação parece ter se intensificado com a interrupção das aulas na pandemia.

Além disso, o estudo indica que alunos de baixa renda têm três vezes mais chance de repetir de série ao menos uma vez na vida, se comparado a estudantes de maior renda, mas com o mesmo desempenho no Pisa. No Brasil, 51,8% dos que repetiram de ano ao menos uma vez estavam na parcela mais pobre da população. A maioria dos repetentes, ou 58,6% deles, eram de áreas rurais ou vilas.

O Pisa é uma avaliação mundial feita em dezenas de países, com provas de leitura, matemática e ciência. Há também uma análise sobre educação financeira e um questionário com estudantes, professores, diretores e escolas e pais.