Mercado fechado

Quase 40% dos brasileiros ganham apenas um salário mínimo

Mulher trabalhando em loja
Em comparação ao governo anterior, 8,3 milhões de trabalhadores a mais sofrem com a situação

(Getty Images)

  • 38,22% dos trabalhadores brasileiros ganham apenas um salário mínimo;

  • Número cresceu 8,2% durante o governo Bolsonaro;

  • Tendência é observada tanto para trabalhadores informais quanto com carteira assinada.

Cerca de 38,22% dos trabalhadores brasileiros ganham apenas um salário mínimo. É o que mostra um levantamento feito pelo economista Lucas Assis, da Tendências Consultoria, a pedido do portal O Globo.

O número refere-se ao primeiro trimestre de 2022 e mostra como o Brasil tem se tornado cada vez mais o país do salário mínimo. No último trimestre de 2015, o percentual era de 27,6% e alcançou 30,09% no mesmo período de 2018, no final do governo Temer. Já na gestão Bolsonaro, a quantidade subiu 8,2%, correspondendo a 36,415 milhões de trabalhadores - 8,3 milhões a mais que no fim do mandato anterior. A tendência é observada tanto para trabalhadores informais quanto com carteira assinada.

4º tri 2018

1º tri 2022

Total que ganha o piso

30,09%

38,22%

Trabalhadores informais

53,46%

61,73%

Trabalhadores formais

14,06%

22,48%

Preocupações

Assis aponta ao portal O Globo que a situação é grave, já que, em 2015-2016, o mercado de trabalho já havia sofrido muito com a recessão. Apesar de 4,6 milhões de postos de trabalho terem sido criados entre o primeiro semestre de 2016 e o mesmo período de 2022, 76% ocorreu no mercado informal.

Além disso, enquanto 7 milhões de vagas surgiram com rendimento de até um salário mínimo, outros 24 milhões de postos com rendimento superior ao piso foram destruídos. Ou seja: a criação de empregos veio de um achatamento salarial.

“Na pandemia, a gente observou que todo o cenário econômico e sanitário contribuiu para a queda de massa de renda, especialmente na população de menor escolaridade. Desde o fim de 2020, houve recuperação do contingente de ocupados, mas a renda média permaneceu bastante fragilizada e permanece abaixo do que havia antes da pandemia”, explica Assis.

O aumento dos empregos que pagam um salário mínimo faz com que a renda do trabalhador caia. Em janeiro de 2015, a renda média era de R$ R$ 2.764, em valores corrigidos pela inflação. Agora está em R$ 2.569.

“Com o mercado ocioso, em crise, o poder de barganha do trabalhador diminui. E tem casos de pessoas que aceitam trabalhos com qualificação menor, o que vale para o formal. Tem exemplos mais extremos, como o cara que faz doutorado e trabalha como Uber, mas também tem o trabalhador CLT que foi demitido e volta para outra empresa ganhando menos”, comenta Bruno Imaizumi, da LCA Consultores.

Ele ainda destaca que a pejotização e precarização do trabalho contribui para que as pessoas trabalhem na informalidade, que geralmente paga salários menores e não oferece estabilidade.

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