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Mais da metade dos paulistanos teve queda na renda por causa da pandemia

EDUARDO CUCOLO
·3 minutos de leitura
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 17-07-2020 - Pessoas atravessam rua próxima ao terminal Capão Redondo, zona sul de São Paulo.  (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 17-07-2020 - Pessoas atravessam rua próxima ao terminal Capão Redondo, zona sul de São Paulo. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pesquisa Datafolha mostra que 52% das famílias paulistanas tiveram queda na renda por causa da pandemia do coronavírus. Outras 41% afirmam que mantiveram os rendimentos, enquanto 7% registraram aumento.

Nas famílias que ganham até dois salários mínimos, 55% tiveram queda na renda. Entre aquelas com mais de dez mínimos, 33%. Entre autônomos, 66% tiveram perda. Nos assalariados registrados, 47%.

O levantamento mostra também que 38% dos moradores da capital paulista solicitaram o auxílio emergencial de R$ 600. Destes, 81% receberam pelo menos uma parcela.

Entre as famílias que ganham até dois salários mínimos, 49% solicitaram o auxílio. Na faixa de renda acima de dez mínimos, 11%.

O benefício foi solicitado por 69% dos que estão desempregados atualmente, 67% dos autônomos, 59% dos assalariados sem registro e 46% das donas de casa.

A pesquisa foi realizada nos dias 21 e 22 de setembro, com 1.092 entrevistados. A margem de erro é de até três pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança, de 95%.

O perfil da amostra da pesquisa Datafolha mostra que 13% dos entrevistados na capital paulista se declaram desempregados, incluindo aqueles que estão ou não à procura de trabalho. Entre os que estão à procura de emprego, 69% solicitaram o auxílio.

Os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a volta dos brasileiros às ruas já começa a pressionar a taxa de desemprego, que na quarta semana de agosto bateu 14,3%, o maior nível desde o início da pandemia. São, ao todo, 13,7 milhões de desempregados em todo o país.

O auxílio emergencial para trabalhadores informais é um dos principais fatores que ajudou a conter a queda na renda do brasileiro desde o início da pandemia.

Pesquisa da FecomercioSP divulgada na semana passada mostrou que a redução no valor do auxílio e a antecipação do pagamento do 13º dos aposentados para o segundo trimestre de 2020 devem contribuir para um Natal fraco neste final de ano.

O trabalho da entidade mostra que, nos primeiros seis meses deste ano, a renda das famílias brasileiras cresceu 3,3% em relação ao mesmo período de 2019, uma injeção de R$ 63,9 bilhões na economia.

Se o governo federal não tivesse adotado nenhuma medida de complementação e antecipação de renda, teria ocorrido uma redução de 0,63% na massa de rendimentos.

O dinheiro extra liberado pelo governo tem sido destinado, principalmente, ao consumo de bens essenciais. Isso tem contribuído para garantir o bom desempenho do comércio, especialmente no ramo de supermercados, e da indústria de bens não duráveis, enquanto outros setores, como os serviços, sofrem mais com a crise atual.

Sondagem especial do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da FGV) mostrou que, considerando todos os auxílios do governo, de cada R$ 100 dessa renda extra, R$ 31 foram para compra de bens essenciais, R$ 27 para pagamento de dívidas em atraso, R$ 20 para poupança e R$ 16 para outros gastos do dia a dia.

Apenas R$ 2,3 foram destinados a bens como eletrodomésticos, móveis e roupas ou para serviços.

Segundo o Banco Central, o auxílio emergencial representou R$ 37 bilhões por mês de abril a julho, o que representa uma transferência de 12% da renda mensal de 2019. A instituição também avalia que o fim do benefício pode afetar o consumo no próximo ano.

"A análise sugere que o auxílio emergencial ajudou a sustentar o consumo durante os primeiros meses de impacto da pandemia. [...] O fim do programa pode contribuir para a desaceleração do consumo das famílias, ainda que de forma temporária", diz o BC em seu último Relatório Trimestral de Inflação.

O governo tem discutido um novo programa de transferências para substituir o Bolsa Família, que deve se chamar Renda Brasil.

A iniciativa, no entanto, não está prevista no Orçamento de 2021, pois seriam necessários cortes em outras despesas para viabilizar o programa sem desrespeitar a emenda constitucional do teto de gastos.

A equipe econômica calcula a necessidade de pelo menos R$ 20 bilhões serem destinados para o Renda Brasil.