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Mais contagiosa, mas menos grave: o perfil da ômicron vai ganhando corpo

·4 min de leitura
Imagem não datada fornecida pelo Instituto Nacional de Doenças Infecciosas e Alérgicas, NIH, mostrando uma micrografia eletrônica colorida de partículas do vírus SARS-CoV-2 (AFP/Handout)

Embora seja muito mais contagiosa, a ômicron é certamente muito menos virulenta. Um mês após sua detecção na África do Sul, essa nova variante já é mais conhecida, embora ainda não se saiba até que ponto ela influenciará a pandemia da covid-19.

- O que sabemos sobre a ômicron? -

Em relação à variante delta, "sua transmissão é muito maior, mas provavelmente menos grave, embora não saibamos até que ponto", explicou Jean-François Delfraissy, presidente do conselho científico que assessora o governo da França.

A ômicron avança muito rapidamente em vários países e os casos estão dobrando a cada dois ou três dias, algo nunca visto antes.

Já é a variante dominante na Dinamarca e no Reino Unido, onde, no total, são mais de 100.000 casos diários. E, em breve, será em outros países onde a delta predominou até agora.

Embora sejam dados incompletos que devem ser analisados com cautela, a ômicron pode ser entre 35% e 80% menos séria.

Isso levanta uma questão importante: não se sabe se o fato de ser menos violenta se deve às mutações da variante ou por infectar pessoas que já estavam parcialmente imunizadas (pela vacina ou por infecção anterior).

- Quais são as consequências em hospitais? -

Por enquanto, é o grande enigma.

A equação depende de duas incógnitas: a gravidade mais baixa da ômicron compensará o fato de ser muito mais contagiosa?

“Embora a ômicron cause sintomas menos graves, o número de casos pode novamente sobrecarregar os sistemas de saúde que não estão prontos”, alertou recentemente o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Isso não parece ser um problema no país onde a variante foi identificada, a África do Sul. No entanto, no hemisfério norte, onde a população é maior, as internações são muito mais preocupantes.

"É muito importante estudar o que vai acontecer em Londres na próxima semana porque vai nos ensinar muito sobre a gravidade", disse Arnaud Fontanet, membro do conselho consultivo francês nesta quinta-feira.

- E as vacinas? -

As mutações da ômicron parecem reduzir a imunidade dos anticorpos contra o vírus, então ele pode se espalhar entre muitas das pessoas vacinadas - e até mesmo reinfectar algumas.

Estudos realizados em laboratório mostram que, em relação à ômicron, a taxa de anticorpos cai o entre as pessoas que receberam as vacinas da Pfizer/BioNTech, Moderna e, em menor medida, da AstraZeneca ou Sinovac.

Uma dose de reforço parece melhorar a imunidade por anticorpos. Pelo menos é o que diversos laboratórios anunciaram esta semana: Pfizer/ BioNTech, Moderna e AstraZeneca. Mas uma informação crucial está faltando: não se sabe quanto tempo dura esse efeito.

E, por outro lado, um estudo realizado por pesquisadores de Hong Kong, publicado quinta-feira, mostra que mesmo com o reforço a vacina Sinovac não produz anticorpos suficientes.

No caso da Novavax, que se tornou a quinta vacina autorizada pela União Europeia na segunda-feira, sua resposta ainda não é conhecida, já que quando foram realizados os ensaios clínicos as variantes mais comuns eram alfa e beta.

Isso não significa que as vacinas não sejam eficazes. Os anticorpos são apenas uma das ferramentas da resposta imunológica, que também depende de células chamadas linfócitos T.

Embora mais difícil de medir, essa "imunidade celular" não é menos importante, principalmente nos casos graves da doença.

Assim, um estudo apresentado em meados de dezembro na África do Sul sugere que a Pfizer/BioNTech continua a ser eficaz contra as formas graves causadas pela ômicron, mesmo antes da dose de reforço.

- Caos? -

Embora a onda de infecções devido a ômicron não leve hospitais ao colapso, essa variante pode causar o caos em muitos países.

A sua transmissão sem precedentes pode levar a uma onda de "absentismo" devido às medidas de isolamento, levando à "desorganização" de muitos setores - como supermercados, transportes, hospitais, escolas -, alertou o conselho científico francês.

“É uma situação que não tínhamos vivido com as outras ondas e que ocorre devido à velocidade de propagação da ômicron”, insistiu o conselheiro Olivier Guérin.

Para limitar essa "desorganização", seria necessário ser mais flexível em termos de regras de isolamento, uma vez que a nova variante causa formas menos graves de covid-19.

Foi o que decidiu o governo britânico nesta quarta-feira, que aumentou o período de isolamento na Inglaterra de dez para sete dias para os vacinados.

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