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Mais de 2 mil sistemas estelares têm "lugar VIP" para observar trânsito da Terra

·4 minuto de leitura

Uma equipe de cientistas da Universidade de Cornell e do Museu Americano de História Natural identificaram 2.034 sistemas estelares próximos que têm uma visão privilegiada para observar nosso planeta passando em frente ao Sol. Deles, 1.715 sistemas podem ter observado a Terra desde o início da civilização humana há 5 mil anos e, nos próximos 5 mil anos, outros 319 sistemas estelares podem entrar para esta conta.

Quando os astrônomos procuram exoplanetas, a estratégia mais adotada é procurá-los pelo trânsito planetário, ou seja, quando passam à frente de suas estrelas e escurecem brevemente — segundo a astrofísica Lisa Kaltenegger, principal autora do estudo e diretora do Carl Sagan Institute, 70% dos exoplanetas conhecidos até aqui foram encontrados desta forma. Assim, Kaltenegger e seus colegas passaram a especular quais estrelas poderiam ter um lugar vantajoso para ver a Terra ao passar pelo Sol.

Representação da Terra iluminada pelo Sol, com estrelas e seus exoplanetas entrando e saindo da posição necessária para ver nosso planeta (Imagem: Reprodução/OpenSpace/American Museum of Natural History)
Representação da Terra iluminada pelo Sol, com estrelas e seus exoplanetas entrando e saindo da posição necessária para ver nosso planeta (Imagem: Reprodução/OpenSpace/American Museum of Natural History)

No ano passado, ela e seus colegas encontraram mais de mil estrelas próximas que poderiam ver o nosso “pálido ponto azul” passando pelo Sol e identificar bioassinaturas daqui. Depois, a equipe decidiu descobrir quais estrelas podem ter essa posição ideal para nos ver, mas, como as estrelas se movem o tempo todo, essa dinâmica faz com que esse ponto de vantagem seja ganhado e perdido. “Estava pensando por quanto tempo iria durar o 'lugar vip' para encontrar a Terra por meio da queda no brilho estelar”, disse.

Para isso, a equipe trabalhou com os dados da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia. Lançada em 2013 e ativa ainda hoje, as observações feitas produziram um mapa da posição e movimentos de mais de 330 mil estrelas a até 325 anos-luz do Sol. Jackie Faherty, co-autor do estudo, comenta que a missão forneceu um mapa preciso da Via Láctea: “pudemos olhar o passado e o futuro, e vimos onde as estrelas estiveram e para onde elas vão", explica.

Então, dos 2.034 sistemas estelares passando pela zona de trânsito da Terra no período examinado, de 10 mil anos, 117 objetos ficam a até 100 anos-luz do Sol, e 75 deles podem ter passado por essa área desde as primeiras transmissões de rádio já feitas, há quase um século. Como essas ondas de rádio são uma assinatura importante da nossa civilização tecnologicamente avançada, os exoplanetas dentro da região poderiam ter captado os sinais. Aliás, o catálogo dos 2.034 sistemas estelares inclui sete que têm exoplanetas, sendo que cada um destes mundos já pôde ou poderá detectar a Terra por meio do trânsito.

Conceito artístico do planeta Ross 128b, que orbita uma anã vermelha (Imagem: Reprodução/ESO/M. Kornmesser)
Conceito artístico do planeta Ross 128b, que orbita uma anã vermelha (Imagem: Reprodução/ESO/M. Kornmesser)

Caso estes planetas tenham formas de vida inteligentes, estes seres poderiam ter visto a Terra recebendo luz do Sol, além de assinaturas químicas na atmosfera que sinalizam a vida por aqui. O sistema Ross 128, por exemplo, fica a 11 anos-luz de nós, e o planeta tem temperatura que pode permitir a existência de vida. Assim, se imaginarmos um cenário em que há seres por lá, eles poderiam ter visto a Terra passando pelo Sol por mais de 2 mil anos, até que perderam o ângulo para ver a Terra, há 900 anos. Por outro lado, essas civilizações teriam perdido a oportunidade de identificar as ondas de rádio emitidas por aqui.

Já o sistema Trappist-1, a 45 anos-luz da Terra, tem sete planetas de tamanho parecido com o nosso. Embora estes mundos já tenham sido identificados, ainda faltam mais de 1.600 anos para chegarem à zona de trânsito da Terra, para poderem nos observar. Depois, os “possíveis observadores” por lá vão se manter no “lugar VIP” para ver a Terra por 2.371 anos.

Kaltenegger explica que a análise mostrou que as estrelas mais próximas costumam passar mais de mil anos em uma posição que permite a observação do trânsito da Terra. “Se considerarmos que o inverso é verdade, temos uma linha do tempo interessante para civilizações identificarem a Terra como um planeta interessante”, diz.

Quando for lançado, o telescópio James Webb será um aliado importante na busca por planetas em trânsito, permitindo a caracterização da atmosfera deles e avanços na busca por sinais de vida. Existe também a iniciativa de Breakthrough Starshot, um projeto que visa levar uma pequena nave em direção ao exoplaneta mais próximo na órbita da estrela Proxima Centauri para estudá-lo. “É possível imaginar que os mundos além da Terra que já nos identificaram estão fazendo os mesmos planos para o nosso planeta e o Sistema Solar”, observa Faherty.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: Canaltech

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