Mercado abrirá em 9 h 30 min
  • BOVESPA

    121.632,92
    -168,08 (-0,14%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    51.134,93
    -60,47 (-0,12%)
     
  • PETROLEO CRU

    69,19
    +0,10 (+0,14%)
     
  • OURO

    1.801,90
    -7,00 (-0,39%)
     
  • BTC-USD

    40.471,66
    +1.116,89 (+2,84%)
     
  • CMC Crypto 200

    995,77
    +19,87 (+2,04%)
     
  • S&P500

    4.429,10
    +26,44 (+0,60%)
     
  • DOW JONES

    35.064,25
    +271,55 (+0,78%)
     
  • FTSE

    7.120,43
    -3,43 (-0,05%)
     
  • HANG SENG

    26.117,10
    -87,59 (-0,33%)
     
  • NIKKEI

    27.744,24
    +16,14 (+0,06%)
     
  • NASDAQ

    15.163,50
    -4,25 (-0,03%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,2058
    -0,0024 (-0,04%)
     

Mais de 160 empresários e intelectuais enviam carta a Lira contra retrocesso ambiental

·8 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma carta assinada por mais de 160 empresários e figuras públicas foi enviada nesta quarta-feira (23) ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pedindo o veto a três projetos de lei da área ambiental que podem gerar "prejuízos irreversíveis" às companhias brasileiras e à imagem do país.

O documento é assinado por nomes como Roberto Klabin, membro do conselho da empresa de celuose Klabin, Guilherme Leal, da Natura, Walter Schaka, da Suzano, Luiz Fernando Furlan, ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Nelson Sirotsky, ex-presidente do Grupo RBS, e a economista Elena Landau.

A missiva se opõe diretamente às propostas legislativas 984/2019, 490/2017 e 2633/2020, relacionadas a mudanças na legislação ambiental, com impacto na demarcação de terras indígenas, na mineração nessas áreas e na grilagem de florestas.

Questionado sobre a carta, Lira afirmou que o documento ainda será analisado.

Os postulantes dizem que a aprovação dos projetos provocaria uma enorme insegurança jurídica e que eles vão contra a Constituição Federal.

A carta alerta para a crise hídrica e para o desmatamento florestal, que impactam diretamente a economia, já que a falta de chuva prejudica os reservatórios e eleva o custo da energia elétrica, repassado aos produtores e ao faturamento das empresas.

"Além disso, com reservatórios secos, o racionamento de energia e possíveis apagões não podem ser descartados. Como as florestas são verdadeiras fábricas de água, sua destruição está diretamente ligada à diminuição do regime das chuvas", afirma o documento.

Eles dizem que os parlamentares estão, na maioria, negando fatos cientificamente comprovados e que estão prestes a aprovar projetos de lei que alteram profundamente a legislação ambiental, "já sacramentada por vários governos e décadas de discussões, os quais agravarão sensivelmente esta já calamitosa situação".

O PL 984/2019 é classificado no documento como um dos maiores retrocessos dos últimos tempos por interferir no Sistema Nacional de Unidades de Conservação e criar a categoria “estrada-parque”.

"No mundo desenvolvido, estradas-parque são instrumentos que favorecem a conservação, para proteger paisagens lineares e biodiversidade. O PL 984, porém, distorce o conceito, pois permite o desmatamento para abertura de estradas em áreas protegidas por lei, como parques nacionais", diz um trecho.

Com esse projeto, mais de 2.500 unidades de conservação seriam cedidas à abertura de estradas, o que permitiria a destruição de florestas do Parque Nacional do Iguaçu, último grande remanescente de Mata Atlântica Estacional do Sul do Brasil, segundo a missiva.

O PL 2633/2020, conhecido como “PL da Grilagem”, apoiado por governistas, trata de mineração em terra indígena, regularização fundiária e concessão florestal.

"Aqui o prejuízo para o empresariado brasileiro já está anunciado por nossos clientes mundo afora. Mais de 300 mil europeus assinaram um pedido de boicote aos produtos brasileiros caso o PL não seja retirado de pauta."

Já o PL 490/2017, de autoria do deputado Homero Pereira (PR-MT), que determina que terras indígenas sejam demarcadas a partir de leis, "coloca em risco a integridade de territórios já demarcados", segundo os empresários, abrindo caminho para mineração em terra indígena, "algo que certamente trará terríveis consequências de toda ordem a povos isolados e totalmente desassistidos pelo Estado".

Os empresários e intelectuais dizem que a pandemia trouxe duros aprendizados e que "não podemos insistir no erro''.

"O avanço das fronteiras humanas sobre áreas verdes exporá a nossa espécie a novas doenças. A invasão e destruição de áreas verdes até então protegidas colocarão milhares de pessoas em contato com uma infinidade de vírus e outros agentes patogênicos que hoje estão em áreas restritas", diz a carta, alertando que o surgimento de uma nova epidemia é muito real.

"Será que não aprendemos nada com esta macabra pandemia e mais de meio milhão de brasileiros mortos?"

"As imagens de nossas florestas queimando ou tombando, que circulam pelo planeta, representam um estrago significativo à nossa reputação externa. E isso piora sensivelmente nossas oportunidades no campo do comércio e das relações internacionais. Nossa atratividade e retenção de mão de obra também sairão prejudicados."

Por fim, a missiva também alerta que o retrocesso ambiental coloca o Brasil na situação sensível de receber sanções econômicas de grandes parceiros comerciais, como os Estados Unidos e a Europa.

Roberto Klabin, membro do conselho da fabricante de papel e celulose Klabin, afirma que o objetivo é fazer com que os deputados entendam que há um grupo de empresários e personalidades vigilante em relação a todas essas demandas em pauta no Congresso.

“Essas pessoas concordaram em assinar o manifesto para sinalizar aos parlamentares os anseios com as consequências nefastas que poderemos sofrer como sociedade, caso essas medidas sejam aprovadas”, afirmou Klabin, que é fundador da SOS Mata Atlântica e da SOS Pantanal.

“Os projetos de lei merecem mais discussão pela sociedade, pois o impacto da sua aprovação sem diálogo poderá prejudicar ainda mais a imagem do nosso país no exterior e afetar os negócios, tanto aqui quanto as nossas exportações.”

Em viagem ao Pantanal, onde mantém uma pousada e uma fazenda, Klabin falou à reportagem que o grupo deseja mandar cartas aos deputados para pressionar pelo diálogo. Mais empresários também vão partir para a mobilização neste sentido, com a divulgação da carta intitulada “Retrocessos ambientais: Um péssimo negócio para o Brasil e para o desenvolvimento sustentável”, com o mesmo teor.

Para o economista Horácio Lafer Piva, a carta é "um misto de imposição democrática com sentido de urgência e defesa do patrimônio nacional".

Bruno Wendling, diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, diz considerar que a imagem do Brasil já tem ranhuras pela falta de uma política ambiental. A possibilidade de novas mudanças na legislação resultaria em uma mancha na imagem do país, especialmente na relação com turistas.

“Nossos principais ativos [turísticos em Mato Grosso do Sul] são ambientais. Não teria como não apoiar a carta, uma vez que vejo o tema com muita preocupação”, diz. “O turista quer vivenciar aquela experiência, mas também ter a certeza de como aqueles territórios estão sendo tratados.”

Criticado por sua condução frente ao Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu demissão nesta quarta ao presidente Jair Bolsonaro. Ele é alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) por operação da Polícia Federal que mira suposto favorecimento a empresários do setor de madeiras por meio da modificação de regras com o objetivo de regularizar cargas apreendidas no exterior.

*

VEJA QUEM ASSINA A CARTA:

Adalberto Sanches dos Santos

Alex da Riva

Alexandre Bossi

Alexandre Gama

Alexandre Ribeiro da Motta

Alice Ferraz

Ana Carmen Rivaben Longobardi

Ana Clara Rena de Souza

André D'Elia

André Felippe Zanonato

Antonio Augusto Orcesi da Costa Filho

Antônio Moreira Salles

Benjamin Sicsú

Betiza Soares dos Santos

Bobby Bettenson

Bruno Wendling

Candido Bracher

Carlos Alberto Gnatta Neto

Carlos Augusto Gugelmin

Carlos Werneck

Carmel Croukamp

Carolina Candida de Lima Barros

Cássio Caleb Lima

Célia Pompeia

Celso Lafer

Christianna Teixeira

Christiane Torloni

Clara Luz Braga Sant´Anna

Cláudia Campos Baumgratz

Cláudio Campello Falcão

Cláudio Carvalho

Daniela Montingelli Villela

Danielle Cunha Fortes

Danielle Ribeiro Giannini

Edgar Gleich

Edgard Safdie

Edrei Augusto Ascencio

Eduardo Marson Ferreira

Eduardo Piva

Elena Landau

Elenice Pereira

Elisabete Arbaitman

Emiliane Gerbasi Ricci

Evelyn Gavioli

Ezra Negrin

Fábia Raquel Ferreira

Fabiana Caricati Boaretto

Fábio Alperovitch

Felipe Anselmo Olinto

Felipe Santos Pereira

Fernando Meirelles

Fernando Perrone

Fernando Pires Martins Cardoso

Firmin Antônio

Flávia Velloso

Franciele Gomes de Souza

Francisca Nacht

Francisco Carlos Mazon

Francisco Lafer Patti

Giem Guimarães

Giuliano Giusti

Guilherme Alvarez de Toledo Padilha

Guilherme Leal

Guiomar Milan Sartori Oricchio

Heloisa Désirée Samaia

Heloisa Pedra Aparecida do Prado

Heloísa Garrett

Henrique Nadolny Hertel

Horácio Piva

Ieda Godoy

Ilona Szabó

Irlau Machado Filho

Isacco Douek

Israel Vainboim

Jaime Antônio de Oliveira Prado

Jair Ribeiro da Silva Neto

Jane Maria Fatima de Assis

Jarbas Marques

Jorge Frederico Magnus Landmann

José Olympio da Veiga Pereira

June Locke Arruda

Kathelyn Nunes da Silva Santos

Latif Abrão Junior

Lisa Maria Alvim Pena Canavarros

Luis Stuhlberger

Luiz Alberto Del Vigna Ferreira

Luiz Antunes Maciel Mussnich

Luiz Furlan

Marcello Brito

Marcelo Machado

Marcelo Kayath

Marcelo Machado

Márcio Fortes

Marcos Peretti Maranhão

Marcus Paiva

Maria Camila Giannella

Maria Gabriela Peretti Gurtensten

Maria Teresa Etrusco Vieira

Mariana Moraes de Barros

Marina Marchezini Lopes

Marilia Razuk

Marina Marchezini Lopes

Mário Anseloni

Mário Haberfeld

Marisa Moreira Salles

Marluce Silva

Martin Frankenberg

Mateus Couto Passos

Maurício Ramos

Max Lean

Melissa Fernandes Oliveira

Miguel Serediuk Milano

Mikael de Andarahy Faria Castro

Mônica Guimarães

Mônica Lima da Rocha

Morris Safdie

Nancy Ashimine

Nelson Sirotski

Neide Helena de Moraes

Nilo Biazetto Neto

Nilton Saraiva

Oswaldo Pereira de Barros

Patricia Kisner Leone

Patricia Verderesi Schindler

Paulo Dalla Nora Macedo

Paulo Proushan

Paulo S. C. Galvão Filho

Pedro Camargo

Pedro Treacher

Pollyana Pugas Dias

Priscila Nagem Cardoso Marques

Rafael Lima

Raquel Machado

Ricardo Assumpção

Roberto Giannetti

Roberto Haberfeld

Roberto Klabin

Roberto Pedote

Roberto Teixeira da Costa

Rodolfo Viana

Rodrigo Leonardo Pereira de Almeida

Rodrigo Meister de Almeida

Roger de Barbosa Ingold

Sérgio Haberfeld

Silvia Costa da Costa

Simone Scorsato

Sônia Grosso

Sumeet Singh Dhillon

Tatiana Costa

Teriana Gandelim Selbach

Thais Mota Rodrigues

Thaynara Siqueira Baumgartner

Tulio Viaro

Vinicius de Souza Viegas

Vinícius Martins

Virgínia Klenner Peluffo

Vitor Domingos Robbi

Walter Schalka

Wania Gaspar Martins do Prado

Wellington Fonseca de Melo

Wolney Betiol

Yacoff Sarkovas

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos