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"Maioria substancial" das autoridades do Fed vê aumentos de juros desacelerando "em breve", mostra ata

Federal Reserve, em Washington

Por Howard Schneider

WASHINGTON (Reuters) - Uma "maioria substancial" dos formuladores de política monetária na reunião do Federal Reserve no início deste mês concordou que "provavelmente seria apropriado em breve" desacelerar o ritmo das altas das taxas de juros, à medida que o debate se amplia sobre as implicações do forte aperto monetário pelo banco central dos Estados Unidos, mostrou a ata da sessão.

O documento da reunião de 1º a 2 de novembro, na qual o Fed elevou sua taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual pela quarta vez consecutiva, mostrou que as autoridades estavam amplamente satisfeitas com a ideia de poderem passar a adotar passos menores e mais deliberados nos juros à medida que a economia se ajusta ao crédito mais caro.

"Um ritmo mais lento... permitiria melhor ao Comitê (de Mercado Aberto) avaliar o progresso em direção às suas metas de máximo emprego e estabilidade de preços", disse a ata, divulgada nesta quarta-feira. "As defasagens e magnitudes incertas associadas aos efeitos das ações de política monetária sobre a atividade econômica e a inflação estão entre os motivos citados."

O entendimento de que os formuladores de política monetária se aproximam do ponto de reduzir seu ritmo acelerado de aumentos de juros deu um impulso aos preços das ações e reduziu os rendimentos dos Treasuries.

O índice de referência S&P 500 avançava em relação aos ganhos do dia --em alta de cerca de 0,6% e próximo do maior nível em dois meses-- enquanto o retorno do Treasury de dois anos, o vencimento mais sensível às expectativas de juros do Fed, recuava para abaixo de 4,48%. Os yields dos títulos de prazo mais longo também cediam.

O dólar, que disparou este ano devido a um ritmo de aperto monetário do Fed que outros grandes bancos centrais não conseguiram igualar, depreciava em relação a uma cesta de moedas de parceiros comerciais.

Contratos vinculados à taxa básica do Fed mostraram que investidores aumentaram suas apostas de um incremento de 0,50 ponto percentual na reunião do Fed de 13 a 14 de dezembro para cerca de 80% de probabilidade, ante 75% antes de a ata ser divulgada.

O documento também mostrou um debate emergente dentro do banco central sobre os riscos que o rápido aperto da política monetária pode representar para o crescimento econômico e a estabilidade financeira, mesmo com as autoridades reconhecendo haver pouco progresso demonstrável na inflação e que os custos dos empréstimos ainda precisam subir.

Enquanto "alguns participantes" disseram que ajustes mais lentos dos juros podem reduzir os riscos para o sistema financeiro, "alguns outros participantes" destacaram que qualquer desaceleração do ritmo de aperto monetário do Fed deve aguardar "sinais mais concretos de que as pressões inflacionárias estão diminuindo significativamente".

Pela medida preferencial do banco central, a inflação continua em mais de três vezes sua meta de 2%. Embora dados recentes sugiram que o salto dos preços já atingiu o pico, uma desaceleração nas pressões de preços será gradual.

PREOCUPAÇÕES EMERGENTES

Em sua declaração de política monetária de 2 de novembro, o Fed sinalizou preocupações emergentes sobre os riscos do aperto da política monetária, dizendo que o "ritmo de altas futuras" levaria "em consideração o aperto cumulativo da política monetária, os atrasos com os quais a política monetária afeta a atividade econômica e inflação, e desdobramentos econômicos e financeiros".

"Muitos participantes comentaram que havia uma incerteza significativa sobre o nível final da taxa básica necessária para atingir as metas do Comitê (Federal de Mercado Aberto)", disse a ata, sugerindo que as autoridades do Fed estão mudando o foco do tamanho dos movimentos individuais dos juros para tentar calibrar um ponto de parada.

Na próxima reunião em dezembro, além de uma declaração de política monetária, o banco central também divulgará novas projeções de autoridades para a trajetória das taxas de juros, inflação e desemprego.