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Maioria dos transtornos mentais aparece aos 14 anos, mostra estudo

·3 minuto de leitura

BARCELONA — A adolescência é uma idade particularmente difícil. E um estudo mostra agora um pouco mais por que. De acordo com uma pesquisa publicada na revista Molecular Psychiatry, do grupo Nature, a idade em que a maioria dos transtornos mentais aparece é aos 14 anos, quando o cérebro passa por importantes mudanças relativas ao amadurecimento. Especialistas afirmam repensar o sistema de saúde mental, que atualmente é estruturado em atendimento infantil e adulto conforme a pessoa é mais velha ou mais jovem.

A pesquisa, liderada pelo Hospital Clínic de Barcelona, foi realizada a partir de uma meta-análise de outros 192 estudos que incluem 708.561 pacientes para determinar a idade em que os diferentes transtornos mentais costumam ser declarados. De acordo com o estudo, a idade média em que a ansiedade social aparece é aos 13 anos, a anorexia aos 17 e a depressão, aos 30. Os 17 transtornos analisados aparecem antes dos 35 anos, em média. A idade média é aquela em que 50% dos casos aparecem antes dessa idade, e a outra metade, depois.

Os pesquisadores observaram que a maioria dos transtornos mentais aparecem sem interrupção durante os primeiros 25 anos de vida.

Joaquim Raduà, chefe do grupo de pesquisa do Institut d'Investigacions Biomèdiques August Pi i Sunyer (Idibaps), afirma que o ideal seria otimizar a prevenção para evitar o aparecimento de distúrbios ou mesmo um agravamento.

— Se pudéssemos detectar a tempo qualquer alteração que alertasse sobre um possível transtorno mental, talvez pudéssemos corrigir e fazer o cérebro amadurecer de forma saudável, evitando o aparecimento do transtorno.

Existem diversos fatores de risco para os transtornos mentais, segundo a psicóloga clínica e psicoterapeuta Neus García:

— Principalmente, é uma questão genética e ambiental.

Raduà cita questões sociais, como “maus tratos” ou pertencimento a “grupos étnicos minoritários”, que podem gerar “discriminação”.

— Essas adversidades precisam ser reduzidas — afirma.

García garante que os primeiros anos de vida são a chave para reduzir estes riscos:

— O primeiro ano de vida formam a base da sua personalidade. A disciplina afetuosa é o que mais ajuda alguém a crescer. Às vezes, eles caem em superproteção, e isso não os prepara, pois as frustrações não são superadas. Ou, ao contrário, os limites são muito agressivos, e há uma falta de afeto que prejudica a autoestima — explica.

Silvia Picón, especialista em trauma emocional, aponta um conceito específico: “segurança emocional”.

— Cobrir as necessidades emocionais é básico — pontua.

Raduà destaca a importância de oferecer um programa preventivo "na idade específica" em que cada transtorno se inicia para que a prevenção seja eficaz.

Picón responde quase que instantaneamente:

— O suporte emocional é o maior fator de prevenção.

Diretor da Fundação Eulália Torras de Beà, de apoio psicológico a jovens, Lluís Diaz concorda em reduzir a idade no trabalho de prevenção.

— Investir na primeira infância é salvar o sofrimento de indivíduos e famílias, construir uma sociedade mais tolerante e, com isso, melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Quando são detectados transtornos mentais, o reparo deve ser buscado o mais rápido possível, segundo García.

— É importante encontrar o remédio rapidamente, mas depende de cada patologia. Os casos de autismo são mais difíceis de tratar. Os desequilíbrios alimentares custam caro, mas dão certo, e as fobias, por exemplo, têm melhor solução — especifica a psicóloga.

O tratamento dessas patologias, porém, tem uma pedra no sapato. O sistema de saúde mental é principalmente dividido em dispositivos diferenciados entre menores de idade e adultos.

— A partir dos 18 anos, os jovens são encaminhados para outros centros, e muitos já não continuam com o apoio porque a mudança os incomoda — avisa Raduà.

Nessa linha, Diaz afirma repensar o sistema.

— Há muito tempo acreditamos que o corte de 18 anos é obsoleto. Não reflete a realidade da clínica de adolescentes e jovens adultos — lamenta.

Diaz, no entanto, está otimista com a mudança de paradigma que o setor está passando após a pandemia.

— Há mais visibilidade da saúde mental. A pandemia o catalisou. Há mais consciência do sofrimento mental e da necessidade de pedir ajuda — comemora.

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