Mercado fechado

Maioria das bolsas europeias opera em queda com decepção sobre pacote nos EUA

Rafael Vazquez
·3 minutos de leitura

Mercados do continente já estavam fechados quando Trump pediu, na véspera, que republicanos abandonassem negociações A maioria das bolsas europeias opera em leve queda na manhã desta quarta-feira. O desempenho reflete a decepção dos investidores depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou ontem, via Twitter, que pediu para os negociadores republicanos abandonarem as conversas com os democratas em busca da aprovação de um novo pacote de estímulo fiscal antes das eleições, marcadas para 3 de novembro. Os mercados de ações do continente já estavam fechados quando o anúncio foi feito. Por volta de 8h15, o índice pan-europeu Stoxx Europe 600 operava em queda de 0,09%, a 365,56 pontos, enquanto o DAX, referência da Bolsa de Frankfurt, recuava 0,28%, a 12.870,18 pontos, e o CAC 40, de Paris, perdia 0,10%, a 4.890,74 pontos. Na Bolsa de Milão, o FTSE MIB tinha leve perda de 0,02% e, em Madri, o Ibex 35 caía 0,19%. Na contramão, o FTSE 100, de Londres, subia 0,10%, a 5.955,81 pontos. Boris Roessler/AP As perdas em Wall Street após o pedido de Trump, acima de 1%, foram bem superiores à performance negativa das bolsas europeias nesta manhã. Isso porque houve tempo para os investidores digerirem o desapontamento e o próprio presidente americano tentou consertar a situação após a reação das bolsas americanas ao solicitar, depois, que o Congresso envie um “projeto de lei independente” para os estímulos. Embora seja cada vez mais improvável que um pacote venha antes das eleições, o mercado acredita que é uma questão de tempo e já começou a sinalizar que agora dá preferência a uma vitória massiva dos democratas tanto para a Casa Branca quanto para o Congresso, na esperança de que Joe Biden e seus aliados entrem determinados a lançar seu plano de estímulos robustos de mais de US$ 3 trilhões no começo do ano que vem. "Sempre esperamos que uma onda azul [vitória democrata para a Presidência, na Câmara e no Senado] gerasse mais gastos fiscais, já que priorizam a recuperação econômica. Isso contrabalançaria as propostas de aumento de impostos e prevemos que uma onda azul seria neutra para os mercados em geral”, escreveu em sua nota diária a clientes o chefe de investimentos do UBS Global Wealth Management, Mark Haefele. Em Nova York, os futuros dos principais índices acionários já até operam em alta nesta manhã. "A razão é porque os investidores sabem que, seja quem for que ganhe as eleições presidenciais dos EUA, é mais provável que venha outro pacote de estímulo”, disse em nota o analista-chefe da AvaTrade, Naeem Aslam. Para o andamento do dia, os investidores europeus estarão atentos a mais um discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, em busca de mais pistas sobre as próximas ações da autoridade monetária da zona do euro. Nesta semana, Lagarde já disse que os membros estão preparados para oferecer mais estímulos, inclusive cortes nas taxas de juros. “Desde seu último discurso, o euro tem estado sob pressão; o BCE tem enviado mensagens conflitantes a respeito da moeda", afirmou Aslam. Nesta manhã, o euro sobe 0,18% sobre o dólar, a US$ 1,17520, após as perdas recentes. Mais tarde, às 15h de Brasília, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) dominará as atenções ao divulgar a ata de sua última reunião de política monetária. Amanhã, será a vez de o BCE revelar a sua ata. No cenário macroeconômico, dados mostram que a produção industrial alemã caiu 0,2% em agosto ante julho, após três meses consecutivos de crescimento. Além disso, Berlim se tornou a mais recente cidade europeia a introduzir horários de fechamento mais rígidos para bares e outros estabelecimentos, que devem encerrar às 23h no horário local, seguindo Madri e Paris, que enfrentam um aumento preocupante de casos de covid-19 após o fim do verão e das temperaturas mais quentes.