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'Maior que Palmeiras e Corinthians': o dérbi Guarani e Ponte Preta

Luiz Gustavo e Roger disputam lance durante o clássico do primeiro turno (Matheus Reche/Futura Press)

Por João Marcos Carneiro (@joaommc03)

Este sábado, 9 de novembro, promete entrar para a história do futebol paulista. Na capital, Palmeiras e Corinthians se enfrentam pelo Brasileirão, enquanto no interior, mais precisamente em Campinas, Guarani e Ponte Preta escrevem mais um capítulo dos 117 anos de rivalidade entre os lados verde-branco e preto-branco da cidade.

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“Eu joguei Palmeiras e Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG, mas Ponte e Guarani foi um dos jogos mais emocionantes que eu joguei na minha carreira. Jogo que para a cidade, a região toda de Campinas. Você não consegue ir no mercado, na padaria, sem que alguém venha falar alguma coisa. Hoje, dentro do país, um dos jogos mais difíceis é esse”, contou o ex-meio-campista da Macaca, Piá, em entrevista ao Yahoo Esportes.

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Quem também falou sobre a disputa do clássico do interior é o ex-lateral Medina, herói bugrino na semifinal do Campeonato Paulista de 2012 com dois gols na vitória de virada por 3 a 1, no Brinco. “Depois daquele jogo a minha vida mudou principalmente em Campinas. Até hoje eu sou lembrado por causa daqueles gols. Tem até uma música cantada com o meu nome e isso me coloca na história do Guarani e dos dérbis”, afirmou.

Para começar a visita ao passado desta rivalidade relembramos um dos clássicos mais memoráveis: o do 2º turno do Campeonato Brasileiro de 2003 no Brinco de Ouro. Na ocasião, o atacante pontepretano Gigena, famoso pelo uso da máscara de macaca na comemoração, marcou os três gols da vitória por 3 a 1. Em campo naquela tarde, Piá relembra que aquele confronto foi primordial para que o time escapasse do rebaixamento.

“Aquele foi um dos mais emocionantes. Estávamos em uma situação muito difícil no campeonato, tínhamos chance muito grande de cair e a gente venceu o Guarani na casa deles. Foi a partir daí que arrancamos e tiramos a Ponte da zona de rebaixamento. Aquele jogo nos deu força para voltar com tudo no campeonato”, conta o ex-atleta que tem seis dérbis no currículo e forte identificação com o clube, visto como uma figura que representava a torcida no gramado.

Nove anos depois, um confronto que não será esquecido é o da semifinal do Paulistão de 2012. A ocasião proporcionou um herói improvável, Medina, que substituiu o ídolo do Guarani, Fumagalli, lesionado logo nos minutos iniciais. Com os tentos anotados, colocou a equipe na final contra o Santos de Neymar e Ganso.

A decisão do técnico Oswaldo Alvarez, o Vadão, em colocar Medina em campo surpreendeu já que o jogador não vinha sendo relacionado nas partidas anteriores.

“Até então não sabia se ia jogar porque vinha tendo poucas chances, mas o Vadão me escolheu para entrar. No começo fiquei nervoso. Eu era um jovem ainda desconhecido no futebol, era uma responsabilidade muito grande, mas eu fiz aqueles gols e classifiquei a equipe”, lembrou Medina, que ainda afirmou que aqueles tentos foram muito importantes para sua carreira.

DOIS LADOS

Agora imagine um atleta que tenha não só jogado dérbis nos dois clubes, mas também feito gols com as duas camisas neste clássico. É o caso do ex-meia Renato Morungaba, que foi duas vezes às redes, as duas em Campeonatos Paulistas.

Primeiro foi a vez em 1979 de deixar o dele com a camisa do Guarani, no empate em 1 a 1. Depois, com a camisa da Macaca marcou o segundo gol no empate em 2 a 2 de 1994, relembra.

“Entrei no segundo tempo, me colocaram por causa da experiência porque estávamos perdendo de 2 a 0, no Brinco. Colocamos pressão, bola na área e eu apareci para cabecear um minuto após o nosso primeiro gol e empatamos. Foi estranho fazer o gol, tanto é que eu fui no Tobogã (local tradicional onde fica a torcida do Bugre), só que aí percebi que os pontepretanos estavam atrás do gol e fui até lá”, contou o ex-jogador que mesmo muito identificado com o Bugre, já que por lá conquistou o Campeonato Brasileiro de 1978, aceitou atuar na Macaca em final de carreira para se recuperar de lesão.

“Eu estava voltando do Japão que eu tive um problema de cartilagem no meu joelho, o médico de lá disse que eu não voltaria mais a jogar. Porém eu sabia que eu podia melhorar e queria provar isso. O presidente do Guarani falou de um jeito que era para eu não voltar para o clube, só que a Ponte me abriu as portas e eu fui. Não é que eu queria jogar lá, é que surgiu a oportunidade para encerrar minha carreira e dizer para o médico de lá que ele estava enganado”.

Renato lembra que a rivalidade é tanto que os torcedores do Bugre o criticam pelo fato de ter jogado na rival: “Alguns torcedores bugrinos não gostam, claro, isso é normal. Falam que fui um grande jogador, de seleção, mas que ter jogado lá no Moisés Lucarelli me diminui. Já do lado da Ponte nunca tive problema com isso. Eles já sabiam da minha ligação com o Guarani, o que eu tinha feito e que isso não iria mudar”.

O dérbi 195 entre Guarani e Ponte Preta acontece neste sábado, às 16h30, no estádio Brinco de Ouro, pela 34ª rodada da Série B. Quatro pontos separam as duas equipes. A Macaca soma 43 pontos e tem poucas chances de acesso enquanto o Bugre com 39 tem situação confortável para escapar da queda para a Série C.

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