Mercado fechado

A maior goleada do América: 16 a 1

O Globo
·2 minutos de leitura
Anderson Castro (de camisa do América) pesquisa uma publicação ao lado do coordenador Stéfano Salles.

pesquisadores américa.JPG

Anderson Castro (de camisa do América) pesquisa uma publicação ao lado do coordenador Stéfano Salles.

RIO - Há pouco mais de um ano, um grupo de torcedores do América, pesquisadores de futebol e jornalistas se dedica à história do clube da Tijuca. Em homenagem ao time rubro, eles criaram o Memória Americana e resgatam fatos importantes e, por vezes, desconhecidos, sobre o clube que completou 116 anos ontem. Eles, que já tinham descoberto um jogo de basquete contra os astros do Harlem Globetrotters no Maracanã, encontraram agora a nova maior goleada da história da equipe tijucana em um jogo oficial.

Por muito tempo, perdurou a versão de que teria sido a também histórica goleada por 11 a 2 sobre o Botafogo, pelo Campeonato Carioca de 1929. Pesquisando em jornais da época e na Biblioteca Nacional e percorrendo os empoeirados sebos da cidade em busca de publicações antigas, eles chegaram à conclusão de que não: foi uma goleada de 16 a 1 sobre um clube extinto, o Ramos F.C., em Laranjeiras, como atesta o pesquisador Anderson Castro:

— Esse era um jogo perdido no histórico. Valeu pelo Torneio Aberto de 1937, uma competição que mesclava clubes amadores e profissionais. Por isso, as goleadas eram muito frequentes. E as publicações da época destacavam que o gramado estava péssimo, encharcado. É natural concluir que, se as condições fossem favoráveis, a vantagem poderia ter sido ainda maior naquele 22 de maio — afirma.

O Ramos, àquela altura, era um clube amador. Anos antes, teve uma experiência na terceira divisão e não foi além dela. O 11 a 2 sobre o Botafogo era a maior goleada da história dos rubros até 1936, quando América e Ramos se enfrentaram pela primeira vez: 13 a 0 para os tijucanos. Coordenador do Memória Americana, o jornalista Stéfano Salles lembra como a competição era inusitada para os padrões atuais.

— O Torneio Aberto contava com Fluminense, campeão em 1935, Flamengo, em 1936, e Atlético-MG. Mas tinha também um time da Atlética das Escolas de Samba, um da Estudantina Musical, dois da Light, um de fiscalização e outro de tração, e um do Cruzador Rio Grande do Sul, da Marinha Brasileira. Era comum que saíssem muitas goleadas — explica.

Na duas primeiras edições, a média foi de 5,3 gols por partida. Curiosamente, o Torneio Aberto de 1937 não chegou ao fim. Àquela altura, o futebol do Rio estava dividido em duas ligas. América e Vasco se uniram em busca de um acordo e pacificaram o esporte, unificando as entidades. A partir de então, o jogo entre os dois clubes ficou conhecido como Clássico da Paz. Com isso, o Torneio Aberto foi deixado de lado. Não chegou ao fim e jamais teve proclamado um campeão em 1937. Afinal, uma página mais importante da história do esporte acabava de ser escrita. Talvez por isso esse jogo tenha ficado de lado por tanto tempo.

O projeto Memória Americana pode ser consutado nas páginas: http://medium.com/memoria-americana e http://fb.com/MuseuDaMemoriaAmericana.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)