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Maia diz que levará alguns dias para resgatar a confiança no Ministério da Saúde

Marcelo Ribeiro

Presidente da Câmara também informou que será votada somente a urgência do projeto que exige transparência do governo na divulgação de dados do coronavírus O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira que levará alguns dias para que se restabeleça a confiança do Ministério da Saúde após o impasse sobre o formato do boletim de dados do coronavírus. Ele defendeu que é ideal que, em alguns dias, se tenha tranquilidade de que nenhum dado está sendo escondido. Mais cedo ele participou de sessão da comissão externa que discute ações de combate ao coronavirus. O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, era o convidado do colegiado.

“Os desencontros dos últimos dias foram muito negativos para todos. O que eu acredito é que até se restabelecer a confiança no trabalho do Ministério da Saúde a inda vai levar alguns dias. O ideal é que daqui a alguns dias todos nós tenhamos a tranquilidade de saber que não há nenhum número sendo escondido, que está se contabilizando as mortes pelos dias, mas não está se esquecendo aquelas que ainda não foram confirmadas”, disse Maia, em entrevista a jornalistas.

“Acho que nós precisamos de mais informações, mais publicidade do trabalho que o ministro fez, para que a gente possa ter mais conforto no acompanhamento dos dados, e que os dados que fazem o controle do trabalho do ministério, o que é normal, o que é legítimo, o que é democrático, eles possam continuar existindo para fazer a checagem. Em algum momento, que é o ideal, todos nós voltaremos a ter confiança nos números apresentados pelo Ministério da Saúde. Eu espero que isso aconteça de forma breve”, acrescentou.

Maia afirmou que deve votar apenas a urgência do projeto que exige transparência do governo na divulgação de dados do coronavírus. Só depois disso o relator da proposta será definido e, assim que o parecer estiver pronto, Maia colocará em votação. Com isso, ele avalia que o mérito deve ser avaliado amanhã ou na próxima terça-feira.

“ É claro que a questão da urgência do projeto de transparência não veio baseada nesse problema dos últimos dias. Esse projeto já era para ter votado a urgência antes. É claro que há uma intenção por parte de todos de garantir a transparência ainda maior nesse momento de pandemia. Então, a urgência vai ser votada, vamos escolher um relator. Quando o relatório estiver pronto, na quarta ou na outra terça, nós vamos votar. Até que agora vamos ter mais informações de como o governo organizou seu banco de dados e qual é a efetividade desse banco em relação a transparência dos dados do governo”, disse Maia, em entrevista antes da sessão da Câmara.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados

Najara Araujo/Câmara dos Deputados

Em relação ao novo adiamento do projeto de combate às fakenews, o deputado do DEM disse que o texto ainda não está “muito bem organizado”.

"Uma coisa é a urgência, respeitando as regras do jogo, o limite de velocidade. Outra coisa é acelerar demais, acima da velocidade limite, e acabar batendo com o carro no muro. Precisamos de um projeto que tenha efetividade. Acho que a nossa urgência tem que ser convergente com um bom texto, que garanta liberdade de expressão, que responsabilize plataformas e garanta mais transparência na divulgação dessas informações falsas”.

Sobre a sugestão do presidente Jair Bolsonaro de que poderia manter o valor do auxílio emergencial em R$ 600 desde que deputados e senadores aceitem cortar o próprio salário, Maia ironizou: “A conta é um pouco distante”. “O custo de dois meses [de auxílio emergencial] é R$ 100 bilhões. O custo anual do salário dos parlamentares é R$ 220 milhões bruto. Lembrando que a Câmara já economizou mais de R$ 150 milhões, que é quase um ano de salário de parlamentares, mas nós não temos problema nesse debate. Esse é um debate que precisa ser feito. Eu tenho defendido quase que sozinho a necessidade dessa repactuação”, disse Maia.

“Se o debate for esse, não há nenhum problema que todo mundo participe para compensar a manutenção de dois meses ou três meses da renda mínima. Se todos os Poderes concordassem com o valor que seja por seis meses, 10%, ou um percentual maior por menos tempo para garantir os R$ 600, tenho certeza e que o Parlamento vai participar e vai defender”.