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Maia diz que servidor merece respeito, mas critica concentração de renda na elite do funcionalismo

CATIA SEABRA
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, 07.10.2019: O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (MDB-SP), o ex senador Romero Jucá e o ex presidente José Sarney, participam de cerimônia de inauguração de uma estátua do ex presidente da câmara durante a constituinte, Ulysses Guimarães, na entrada do Plenário da Câmara, que também leva o nome de Ulysses. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Três dias depois de o ministro Paulo Guedes (Economia) chamar os servidores de parasitas, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a concentração de renda muito grande na elite do funcionalismo público impede que se atenda às demandas da população.

Sem citar a polêmica declaração de Guedes, ele disse, porém, ser possível convencer a população da necessidade das reformas sem uso de termos pejorativos.

“Todos serviços públicos têm que ser tratados com muito respeito e o uso de termos pejorativos nos atrapalham no debate, mas há uma concentração de renda que a população não concorda mais”, disse Maia.

Ao participar de café da manhã promovido pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio), Maia afirmou ser correto que as novas regras se apliquem apenas aos futuros servidores. Ainda que crie conflitos, disse, permite a concentração de esforços na aprovação da reforma tributária”.

Ele defendeu a adoção do Orçamento impositivo, afirmando que aumenta a responsabilidade do Parlamento na apresentação de emendas destinadas às bases eleitorais.

Atualmente, vigora o chamado Orçamento autorizado. Nem toda despesa autorizada obrigatoriamente vai ser efetivamente gasta. A adoção do Orçamento impositivo vai tornar obrigatória executar todo o Orçamento aprovado pelo Congresso.

Maia projetou ainda que a a reforma tributária deverá ser aprovada nos quatro ou cinco primeiros meses deste ano, ao defender que o sistema brasileiro é disfuncional e injusto.

“Tributamos mais consumo do que a renda. Tributamos muito mais o trabalhador do que a elite”, disse. “O que temos que fazer é comunicar com a sociedade.”

REDES SOCIAIS

Alvo de ataques dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, Maia disse que o governo ainda cria conflitos nas redes sociais. Ele disse ainda que a opção de Bolsonaro por não montar um governo de coalizão conferiu maior protagonismo ao Congresso.

“Alguns parlamentares me perguntaram no primeiro semestre do ano passado por que, apesar de todo o conflito no primeiro momento de o próprio governo ir às redes sociais, inclusive até hoje, por que continuava olhando a reforma da Previdência como fundamental e não trabalhava para criar um conflito com governo”, relatou ele a empresários.

Maia arrancou aplausos ao dizer, então, que “no momento que o Brasil chegou não temos mais condições de criar conflitos políticos que prejudicam a sociedade brasileira”.

Apesar do discurso, Maia disse que mantém diálogo com o governo para aprovação de reformas. “De fato, o governo não realizar um governo de coalizão nos ajudou. O Parlamento conseguiu um protagonismo”.