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Maia diz que Brasil terá de ser 'menos fiscalista' e preparar programa de retomada

Raphael Di Cunto

“Com os Estados sem recursos, com as empresas em dificuldades e num país sem poupança interna, não dá para imaginar a retomada de outro jeito”, afirmou o presidente da Câmara O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira que o governo federal precisará aportar recursos e fazer investimentos públicos para o país sair da crise pós-pandemia e que isso levará a um aumento do endividamento público, mesmo com a contrariedade dos economistas mais fiscalistas.

Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

“Com os Estados sem recursos, com as empresas em dificuldades e num país sem poupança interna, não dá para imaginar a retomada de outro jeito”, disse o presidente da Câmara, ao participar de “live” com a Câmara do Comércio Brasil-França. “Para retomada, o brasil vai ter que ser menos fiscalista e preparar programa de retomada. Todos os países estão fazendo assim”, afirmou.

Maia afirmou que os economistas mais fiscalistas irão reclamar e previu que muitos já estarão ligando para ele depois dessas declarações, mas que não vê outro caminho que não seja o Estado brasileiro aportar recursos para estimular o crescimento. “Ah, mas vai aumentar um pouco mais a dívida pública. Eu acho que vai”, disse.

Ele defendeu, porém, que os gastos serão emergenciais, sem criação de programas de longo prazo como a desoneração da folha de salários de alguns setores durante o governo Dilma, e que o governo precisa ser cirúrgico para não jogar dinheiro fora em programas pouco eficazes.

A agenda de reformas é importante, afirmou, mas ele disse não ver “o país saindo dessa crise apenas com reforma tributária e administrativa, recuperação judicial, a lei do gás”. “Não é possível acreditar que com cinco leis o problema do Brasil está resolvido”, comentou.

Ele também disse que é importante o país manter as âncoras fiscais de médio prazo, como o teto de gastos. Ele também reiterou que a Câmara deve aprovar mudanças nas duas medidas provisórias (MP) de liberação de crédito para as empresas e defendeu até que o governo isente essas operações de impostos para diminuir a taxa de juros.