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Maia: Autonomia do BC está pronta para votar, depende do governo

Marcelo Ribeiro e Raphael Di Cunto

"Esse é um tema nitidamente de governo. Se a relação estiver melhor organizada, acho que facilita", afirmou ele O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quarta-feira que acredita ser possível aprovar a autonomia do Banco Central ainda em março. Na avaliação dele, tudo depende da relação com o governo. O parlamentar do DEM recebeu jornalistas para uma conversa em seu gabinete na Câmara.

“Tem chance [de ser votado ainda no primeiro trimestre]. Depende muito da relação com o governo. Esse é um tema nitidamente de governo. Se a relação estiver melhor organizada, acho que facilita. É um tema que está pronto para votar”, disse Maia.

Maia explicou que o Senado iniciará a análise da proposta, que será encaminhada para apreciação dos deputados. “O Senado ficou de votar primeiro e depois a gente votar. Vamos esperar o Senado. Mas estamos prontos para votar. Se a Câmara tiver alguma divergência com o Senado, retifica e devolve. O Senado terá a palavra final. A equipe do BC vai ter tempo suficiente para convencer os deputados e senadores que essa inclusão está ou não correta. Aí depende muito da tramitação nas duas Casas”, completou.

O parlamentar do DEM admitiu que o coronavírus pode afetar o desempenho da economia, mas afirmou que o avanço das reformas e uma melhora da gestão do governo podem estabelecer a retomada.

“Olha, eu acho que no final do ano os resultados já vieram abaixo da expectativa que todos nós tínhamos. Já tínhamos uma primeira avaliação, a partir de fevereiro, de que aquela previsão do final do ano para o crescimento desse ano já não seria, pelo menos no primeiro momento, uma projeção correta. Somado ao coronavírus, é claro que isso acelera no curto prazo a queda de projeção do crescimento do PIB para esse ano”, disse Maia. “Mas ainda está muito cedo. Acho que a questão do coronavírus pode ter um encaminhamento que estabilize os problemas e que a gente possa recuperar tanto com gestão do governo quanto com aprovação de reformas”, completou.

Na avaliação dele, mesmo com o cenário atual, a “retomada da agenda do Congresso somada à gestão do governo” pode desencadear um crescimento de pelo menos 2% neste ano.

Rodrigo Maia

Jorge William / Agência O Globo