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Maia afirma que Câmara está dividida sobre adiar eleição

Raphael Di Cunto

Segundo ele, pressão de prefeitos está fazendo efeito e deputados estão mais divididos O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quinta-feira (18) que a pressão de prefeitos está funcionando e os deputados estão mais divididos sobre adiar a eleição municipal de outubro para novembro ou dezembro, como sugeriram médicos que aconselham o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Najara Araujo/Câmara dos Deputados

“Aqui na Câmara, a questão está mais dividida. A pressão de alguns prefeitos está fazendo efeito, mas, no Senado, parece que está mais consolidado pelo adiamento”, disse o deputado em live com Eduardo Magalhães, sobrinho do ex-deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA).

Para Maia, que defende o adiamento, a eleição em outubro pegaria o país ainda num momento de crescimento dos casos de covid-19 em algumas regiões e prejudicaria as campanhas, umas vez que só os candidatos que comandam a máquina pública teriam condições de ganhar destaque.

“A eleição não pode ser democrática quando só um lado tem força por causa do vírus”, afirmou o presidente da Câmara.

Prorrogação de mandatos

Maia afirmou também que se a Casa não tiver votos suficientes para mudar a data de votação de outubro para novembro e dezembro, e se isso ocorrer e ficar inviável a realização da eleição por causa do coronavírus, ele não deixará que seja votada a prorrogação dos atuais mandatos.

“Se não adiarmos a eleição e o agravamento da pandemia não permitir que ela seja realizada em outubro, teremos que olhar na lei orgânica de cada município para ver quem assumirá em janeiro”, disse, destacando que pode ser o presidente do Tribunal de Contas do Município, um magistrado ou o presidente da Câmara de Vereadores, a depender de cada cidade.

Maia destacou que não permitirá a aprovação de uma PEC para prorrogar os mandatos dos atuais prefeitos. “Enquanto eu for presidente da Câmara, não aprovaremos nenhuma PEC para prorrogar mandato. Não abriremos uma brecha para que um presidente popular no Congresso no futuro –e não estou falando do presidente Bolsonaro, que não tem maioria – possa, daqui a dez anos, prorrogar o próprio mandato com alguma alegação”, disse.

Para Maia, há maioria no Senado para adiar as eleições, mas na Câmara “ainda não e talvez não tenha”.