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Magazine Luiza quer reduzir estoque excessivo de mercadoria após surpresa no 3º tri

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SÃO PAULO (Reuters) - O Magazine Luiza terminou o terceiro trimestre com um giro de estoque de produtos de 100 dias ante um nível que considera saudável de 70 e pretende escoar esse excesso entre a Black Friday e sua tradicional promoção de início de ano, afirmou o presidente da companhia nesta sexta-feira.

O inventário extra fez a empresa registrar uma provisão de 395 milhões de reais no terceiro trimestre que acabou ajudando a derrubar o lucro da companhia no período em quase 90% e pressionava as ações da empresa para uma queda de 16% às 16h20.

"Não estávamos esperando a desaceleração que houve nas vendas das lojas físicas no terceiro trimestre e acabamos com estoque maior", afirmou o presidente da companhia, Frederico Trajano, em teleconferência com analistas do setor.

"Achamos prudente trabalhar com a provisão para trazer o estoque para um giro menor em dezembro e início do ano que vem. Claro que você acaba promocionando estes itens para escoar o estoque", disse o executivo.

Segundo o diretor financeiro, Roberto Rodrigues, não fosse a provisão, o lucro do Magazine Luiza de julho a setembro seria praticamente 400 milhões de reais a mais que os 22,6 milhões divulgados na noite da véspera.

Rodrigues afirmou que a provisão será gradualmente revertida conforme a empresa vá reduzindo os estoques. Ele explicou que os estoques não são de produtos obsoletos e que foram montados desde o início do ano em meio aos problemas de logística trazidos pela pandemia que fizeram a empresa temer ficar sem mercadoria suficiente.

O Magazine Luiza, cujas lojas físicas vendem notadamente produtos eletrodomésticos e eletroeletrônicos cujos custos variam fortemente com o câmbio, chegou a apostar que teria venda mais aquecida no segundo semestre, disse Rodrigues.

O executivo afirmou que a empresa estava otimista diante do andamento dos programas de vacinação e retirada de medidas de isolamento social, algo que poderia fomentar o fluxo de clientes nas lojas físicas, muito embora o cenário econômico no país já viesse se deteriorando, com aumento de inflação e juros e desvalorização do real.

Trajano reconheceu que, no "curtíssimo prazo", a situação das lojas físicas da empresa, que trabalham em sintonia com a plataforma de comércio eletrônico da companhia, continuará "desafiadora", mas que isso não é motivo para a empresa mudar seu modelo de negócios.

"Acredito que continuaremos em um cenário mais desafiador ainda...Mas temos um histórico de nos recuperarmos de momentos difíceis", disse o presidente do Magazine Luiza. "Não é problema de modelo de negócio, é problema macroeconômico", acrescentou.

Segundo Trajano, o Magazine Luiza, que até o terceiro trimestre vinha sendo comedido em promoções e eventos para evitar aglomerações de clientes em suas lojas por conta de receios relacionadas à pandemia, mudou a tática a partir do mês passado.

"A ordem é aglomerar...Fomos muito responsáveis em termos o cuidado de darmos o exemplo, mas a partir de outubro estamos com ordem de aglomerar para ter bastante gente em loja, mas isso, obviamente diante do contexto econômico, ainda é muito complicado", disse Trajano durante a teleconferência.

O executivo explicou que o Magazine Luiza continuará investindo em novas categorias de produtos para ampliar a recorrência de compras dos clientes de sua plataforma digital, de maneira semelhante ao que vem sendo desenvolvido pela rival Americanas, cujas ações subiam 5,8% nesta sexta-feira.

Uma das principais apostas do Magazine Luiza neste sentido é a categoria de moda, que já tem no marketplace da empresa mais de 300 marcas e 21 mil vendedores e marca própria da companhia.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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