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Madureira ganha passeio turístico em ônibus elétrico

·4 min de leitura

RIO — Suburbanos com muito orgulho, amor e disposição para apresentarem o que é que a periferia tem. Construções históricas? Tem! Parques aprazíveis e cultura potente? Também tem! Conhecedores natos das riquezas da vizinhança, a arquiteta e urbanista Karolynne Duarte e o administrador de empresas Vilson Luiz, moradores de Cascadura, transformaram-se em anfitriões da região, a bordo de um ônibus elétrico.

Antes mesmo de se conhecerem no curso técnico de Turismo do Colégio Estadual Antonio Prado Junior, na Praça da Bandeira, e de se tornarem um casal, os dois sabiam que haviam nascido para enaltecer as maravilhas distantes do mar. Cria do bairro em que vive, a mãe de Zyon, de 6 anos, e Zury, de 2, sentiu necessidade de, durante a pós-graduação em Gestão Ambiental, pesquisar mais sobre o território que conhecia intimamente, porém apenas a partir de sua vivência. Em meio às pesquisas, percebeu que precisava dar visibilidade ao espaço que se mistura com a sua identidade. Daí para fazer a matrícula e mergulhar nos estudos que a deixariam apta para fazer excursões mundo afora, ou melhor, subúrbio afora, foi um pulo.

Luiz, por sua vez, estava na sala ao lado do colégio, desmotivado pelo incômodo de ver a maior relíquia do seu lugar de origem, a Igreja da Penha, perder visitantes e notoriedade. Com tanta afinidade, começaram a curtir juntos as rodas de jongo e samba em Madureira. A dupla inseparável não demorou para gerar a primeira “filha”, a agência de turismo Guiadas Urbanas, responsável pelo tour cultural de ônibus por ruas que guardam ícones cariocas, como as quadras da Portela e do Império Serrano, o Parque Madureira, o Mercadão e o Viaduto Negrão de Lima, conhecido por ser endereço do baile charme mais tradicional da cidade. A ação faz parte do programa Verão Verde, realizado pela Secretaria municipal de Cultura, com saídas aos sábados e domingos e entrada gratuita, a ser retirada antecipadamente através da plataforma Sympla.

— Este projeto é o reconhecimento de que o subúrbio é um patrimônio cultural — diz Karolynne.

Luiz completa:

— A gente sempre buscou fortalecer o subúrbio e apresentar um Rio além dos cartões-postais clássicos, que esquecem esta parte da cidade.

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Importância histórica da região é pouco valorizada

O roteiro por Madureira a bordo do ônibus elétrico é o ponto de partida para estimular que os participantes do passeio, após circularem pelo bairro por uma hora, tenham interesse em conhecer mais detalhes do local que inspirou Arlindo Cruz a compor “Meu lugar”. Nesta verdadeira declaração de amor em forma de canção, o sambista derrete-se: “Em Madureira, cada esquina um pagode num bar/ Em Madureira, Império e Portela também são de lá/ Em Madureira, no Mercadão você pode comprar...”. Karolynne Duarte é outra apaixonada por esse cantinho famoso do subúrbio carioca.

— Criamos a Guiadas Urbanas em 2012, ano em que o Parque Madureira foi inaugurado e em que estava passando “Avenida Brasil” na TV Globo. Sempre que ouvíamos a canção do Arlindo na novela, nossa motivação de trabalhar com turismo no subúrbio se renovava — recorda.

O início real se deu anos antes, quando descobriu a importância histórica de Cascadura, bairro que ganhou este nome devido à dificuldade que os operários tiveram para remover a pedreira que havia no local.

— Cascadura foi uma das primeiras estações da Estrada de Ferro Dom Pedro II, a segunda instalada do Brasil, ou seja, trata-se de um lugar com importância histórica — ressalta Karollyne.

Luiz também lembra como começou o seu interesse por enaltecer as riquezas culturais do seu lugar.

— Sou um favelado, da Penha, que sentia tristeza ao ver a Igreja da Penha, que nos anos 1980 tinha o seu entorno rodeado de ônibus de turismo, perdendo notoriedade. Queria ver as pessoas de volta ao bairro, por isso fui me especializar nesta área. O Parque Ari Barroso é outra maravilha da região — diz.

A paixão pelo turismo suburbano, no entanto, ainda não é capaz de garantir o sustento do casal. Nada que os desanime. Karolynne e Luiz acreditam que uma maior valorização da periferia carioca é uma questão de tempo.

— Quando começamos, fazíamos os passeios sem cobrar nada, depois pedíamos uma contribuição voluntária, mas é preciso ter um retorno profissional, já que é um trabalho. Nossa contratação para sermos os guias do ônibus elétrico já é uma conquista. Ainda temos empregos em outras áreas, mas vamos conseguir viver de apresentar a cultura do nosso lugar — garante a guia de turismo.

Luiz faz coro:

—A ideia é um dia trabalhar exclusivamente com o fortalecimento do subúrbio. Potencial existe!

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