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Mídia chinesa diz que EUA têm "delírios" em meio a impactos de guerra comercial

Por Ben Blanchard e David Stanway
Bandeiras da China e dos Estados Unidos, em Pequim 27/04/2018 REUTERS/Jason Lee

Por Ben Blanchard e David Stanway

PEQUIM/ XANGAI (Reuters) - O protecionismo dos Estados Unidos é autodestrutivo e um "sintoma de delírios paranóicos" que não deve desviar a China de sus trajetória de modernização, disse a mídia chinesa nesta sexta-feira conforme Pequim mantém sua guerra de palavras com Washington.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou na segunda-feira impor tarifa de 10 por cento sobre 200 bilhões de dólares em importações chinesas se a China retaliar contra as taxas anteriores sobre 50 bilhões de dólares em importações.

Os temores dos investidores de uma guerra comercial em larga escala pesavam sobre os mercados, incluindo ações chinesas, que registraram sua pior perda semanal desde o início de fevereiro. Até mesmo os cidadãos chineses expressaram sua infelicidade nas mídias sociais.

O Ministério do Comércio da China acusou os Estados Unidos na quinta-feira de serem "caprichosos" em relação a questões comerciais e alertou que os interesses dos trabalhadores e agricultores dos EUA acabariam afetados, prometendo reagir com medidas "quantitativas" e "qualitativas".

O oficial China Daily disse em um editorial que os EUA falharam em entender que os negócios que faz com a China sustentam milhões de empregos norte-americanos e que a postura dos EUA é autodestrutiva.

O jornal em inglês citou uma pesquisa do Rhodium Group segundo a qual o investimento chinês nos EUA caiu 92 por cento, para 1,8 bilhão de dólares nos cinco primeiros meses do ano, nível mais baixo em sete anos.

"Os infortúnios que aos quais o governo está submetendo as empresas chinesas não se traduzem apenas em benefícios para as empresas dos EUA e para a economia dos EUA", afirmou em um editorial com o título "Sintoma protecionista de delírios paranoicos".

"O encolhimento rápido do investimento chinês nos EUA reflete o dano que está sendo feito às relações comerciais entre China e EUA...pela cruzada comercial de Trump...", completou.

(Por Ben Blanchard e David Stanway)