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México rejeita ingerência dos EUA sobre normas trabalhistas no país

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, rejeitou nesta terça-feira (3) uma proposta dos Estados Unidos de supervisionar a implementação das reformas trabalhistas exigidas de seu país no âmbito do novo acordo comercial norte-americano USMCA (na sigla em inglês).

"Estão sugerindo que possa haver uma espécie de supervisão sobre o cumprimento da (nova) lei (trabalhista) do México. Nós não aceitamos isso", disse López Obrador à imprensa.

Segundo a imprensa local, Washington teria exigido que o México forme um painel de solução de controvérsias trabalhistas e que inspetores americanos verifiquem o cumprimento do capítulo trabalhista do Acordo de Livre-Comércio entre Estados Unidos, México e Canadá.

"Dissemos que não (aos inspetores), e sim para resolver controvérsias mediante a criação do que chamam de painéis", afirmou López Obrador.

Ontem, o Conselho Coordenador Empresarial, principal federação empresarial mexicana, classificou estas propostas como "extremas e totalmente inaceitáveis".

O México é o único país até o momento a ratificar o USMCA acordado há um ano para substituir o Nafta (na sigla em inglês), em vigor desde desde 1994 e considerado "desastroso" por Trump.

Para se adaptar ao novo tratado, o México elevou o salário mínimo e aprovou uma reforma de seu regime trabalhista.

Sindicatos americanos e a oposição democrata na Câmara de Representantes dizem duvidar da capacidade do governo mexicano de aplicar as novas normas.

O subsecretário mexicano para a América do Norte, Jesús Seade, viaja nesta terça para Washington. Lá, terá diversas reuniões no marco do processo de ratificação do USMCA, disseram fontes oficiais à AFP, na capital americana.