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'A mão de Deus': Paolo Sorrentino lança filme que une Maradona e drama pessoal

·4 min de leitura

Paolo Sorrentino tinha 16 anos quando seus pais morreram asfixiados por um vazamento de gás na casa de férias da família, nas montanhas. O autor de “A grande beleza” (2013), vencedor do Oscar de filme estrangeiro, escapou do mesmo destino porque ganhara a permissão de ficar para trás, sozinho em casa, pela primeira vez na vida, para poder ver Diego Maradona jogar em sua cidade. Foram necessários mais de três décadas para que o realizador napolitano tomasse coragem para revisitar, com a ajuda da ficção, aquele momento dramático de sua vida, que moldaria seu futuro. “A mão de Deus”, que chega amanhã aos cinemas brasileiros, já é descrito como o filme mais pessoal do realizador italiano.

— Um amigo querido sempre me disse que nunca faço filmes pessoais. Tomei aquilo como uma provocação. Mas só ano passado, ao chegar aos 50, eu me senti maduro o suficiente para fazer um filme tão próximo a mim — disse Sorrentino durante o Festival de Veneza, em setembro, onde “A mão de Deus” fez sua estreia mundial na competição pelo Leão de Ouro. — Percebi que, em meio àquela parte muito dolorosa da minha vida, havia também uma grande dose de amor, e que tudo isso poderia ser contado em filme. Uma história que fosse além da minha particular, em que a ficção se confundisse com a realidade, mas o que não deveria ter sido traído foram os sentimentos e emoções que senti quando jovem.

Poder semidivino

“A mão de Deus” se desenvolve em torno de Fabietto (Filippo Scotti), alter ego do diretor, um rapaz tímido em busca de seu lugar no mundo, rodeado pelo amor de uma família numerosa e barulhenta. Ele mora com seus pais, Maria (Teresa Saponangelo) e Saverio (Toni Servillo, antigo colaborador de Sorrentino), e tenta se ajustar ao cotidiano na escola, onde se sente um tanto marginalizado. O pano de fundo é a Nápoles de meados dos anos 1980, e o entusiasmo da cidade, compartilhado por Fabietto, pela chegada de Maradona para jogar no Napoli. Mas a tragédia repentina se abate sobre a família, e o rapaz, assim como Sorrentino, terá que enfrentar a dor e pensar no futuro sozinho.

O título do filme remete ao apelido que o jogador argentino, morto ano passado, ganhou durante as quartas de final da Copa do Mundo no México, em 1986, ao marcar um gol com a mão.

— É uma frase bonita e paradoxal, porque foi dita por um outro jogador de futebol, à época. Pareceu-me uma bela metáfora também, um título que se relaciona com o acaso, o infortúnio, ou com quem acredita na existência de poderes sobrenaturais. E eu acredito no poder semidivino de Maradona. É uma pena que “O garoto de ouro” [apelido do jogador] não tenha visto o filme — lamentou o cineasta. — Mostrar “A mão de Deus” para ele era o meu primeiro desejo, mas Maradona nunca foi um homem fácil de abordar. Soube que seus empresários queriam mover uma ação contra o meu filme, mas acho que Maradona nunca chegou a saber do projeto. Deve ter sido um estorvo causado por sua comitiva.

Em sua carta de amor à juventude, o seu “Amarcord” particular, Sorrentino se despe do estilo barroco característico de suas obras passadas, como “O divo” (2008), “Loro” (2018) e até mesmo “A grande beleza”. Tanto os momentos de idílio familiar e futebolístico quanto os dolorosos são narrados de forma simples, sem rebuscamentos visuais, pelos olhos de Fabietto. Até porque, agora, como explica o diretor, “o foco estava nos sentimentos”. E assim a câmera acompanha o protagonista até o instante em que ele encontra no cinema um elemento de salvaçã o, de recomeço. Após a morte dos pais, Sorrentino refugiou-se nos filmes, trabalhando como assistente de direção.

— É um filme simples e essencial, que exigiu de mim uma certa coragem. A verdade é que eu precisei mais de coragem para escrever o roteiro do filme do que ao fazê-lo — observou ele, que em 2022 lança “Mob girl”, trama de espionagem estrelado por Jennifer Lawrence. — Os medos e as reservas que tive ao lidar com questões tão delicadas e assustadoras da minha vida, como a cena da morte de meus pais, desapareceram quase completamente durante o trabalho cotidiano de, por exemplo, pensar no tipo de luz que eu precisaria para determinada sequência. “A mão de Deus” é um filme com espírito de recomeço.

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