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De mãe para filha: receitas que atravessam gerações

·6 minuto de leitura

A chef confeiteira Simone Campos, de 39 anos, lembra com carinho do dia em que fez seu primeiro bolo. Foi de chocolate e ela tinha, então, 5 anos. Fez junto com a irmã, Lili, na época com seis anos, que "já tinha aprendido a receita antes". A mãe, Alda Maria - sim, estamos falando do trio de mulheres por trás das delícias do Alda Maria Doces Portugueses, de Santa Teresa - deixou as duas sozinhas na cozinha fazendo o preparo, só deu uma "ajuda" na hora de ligar o forno.

- Lembro da gente subindo em cima dos armários, pra pegar os ingredientes. E lembro que a gente pegou uma coisa que não era fermento... Este bolo vai ficar na minha memória afetiva pra sempre, nunca vou conseguir reproduzir aquele bolo de novo. A gente untou a forma com azeite de oliva, minha mãe diz que tinha gosto de azeite. Eu não lembro, não sabia diferenciar ainda isso. Ele ficou todo crocante, como um biscoitão, e lembro que foi numa forma de coração, que existe até hoje - conta Simone.

O formato de coração casa perfeitamente com a história de amor que permeia a transmissão de um legado, que já chega à nona geração: de mãe para mãe passaram as receitas, dicas e o jeito único de preparar os bem-casados, pasteis de nata, fatias de braga, tortas e outras delícias que fazem fama na doceria, abastecida por ovos caipiras, açúcar orgânico e afeto. Muito dessa história pode entrar no presente para sua mãe no domingo (veja serviço abaixo). Simone conta que o aprendizado com a mãe vem desde a infância, quando a família ainda morava em Porto Alegre, e as crianças ajudavam na execução dos caramelados, colocando os doces nas forminhas... Aos 17 anos, Simone já era profissional, e fez da confeitaria seu ofício.

- Cresci na cozinha, sempre ajudando ela a fazer os doces. Minha mãe foi e é a minha grande mestra, minha maior professora, meu google. Muita coisa aprendi só de olhar, e de tanto ver. Dizem que as doceiras da família sempre pulam uma geração. Eu quebrei a tradição. Minha bisavó era uma doceira tradicional em Pelotas. Minha avó também fazia doces, mas não vivia disso. Aí veio minha mãe, trabalhando com os doces. Daí veio a gente.... Minha mãe fala que a gente está colocando um "toque artístico" na empresa, dando um "toque mais contemporâneo" e novas técnicas de confeitação a este legado de séculos - diz Simone, que exibe com orgulho cadernos centenários de receitas da família, com um acervo de mais de 300 doces, alguns hoje em dia quase desaparecidos em Portugal.

Neste Dia das Mães, mais chefs celebram as suas próprias matriarcas, cozinheiras de mão-cheia que, ao transmitir o seu conhecimento e "talento genético", são responsáveis por pratos únicos que encontramos nos cardápios da cidade. Se Alda Maria preserva com suas crias o patrimônio imaterial de doces lusitanos feitos a partir de sua fórmula original d'além mar, Dida Nascimento, à frente do Dida Bar, na Praça da Bandeira, também deposita ancestralidade e a cultura africana nos pratos afro-brasileiros de seu cardápio. Onde figura, claro, o que ela aprendeu com a mãe, Dona Maria. O Caril de Camarão, que traz o camarão servido dentro de um abacaxi, junto com um curry especial de dez condimentos, "carro-chefe" da casa, vem desta herança materna.

Dida conta que foi criada em um "quintal" no Cachambi, uma espécie de comunidade quilombola, junto com a família. A matriarca era a avó, cozinheira talentosa, que reunia filhos (eram 9) e netos em alegres reuniões de "paneladas".

- Eram festas em que a família toda se reunia, cada um fazia um prato diferente, parecia uma competição. Nestas paneladas, chamava atenção o caril da minha mãe. Era um prato especial, não se fazia sempre, pois camarão era caro, difícil até para a classe média, ainda mais numa classe menos favorecida. Era uma delícia. Muitos anos depois, quando fiz pesquisas e fui à África, descobri que o prato que a gente fazia era de Moçambique, provavelmente a origem dos antepassados da minha mãe - conta Dida, que estará pronta para servir o caril, no domingo, nas mesas do quintal que hoje é o "salão principal" do casarão na Praça da Bandeira (desde ano passado, o Dida Bar se mudou para o número 379 da rua Bbarão de Iguatemi, onde até 2017 funcionava o Aconchego Carioca). Mas, para quem preferir passar, em tempos de pandemia de Covid-19, o Dia das Mães em uma celebração quietinha em casa, a boa notícia é que o Dida Bar também faz delivery, e o Caril de Camarão pode bater à sua porta.

Falando em Aconchego Carioca, a chef Kátia Barbosa, dona da casa na Praça da Bandeira, da marca de delivery de comida brasileira Katita (com um ponto de vendas físico no Taste Lab, no NorteShopping) e, agora, na tela da TV Globo no reality show culinário "Mestre do Sabor", também entrará, num futuro que torcemos que seja próximo, no time de filhas que celebram a mãe em suas receitas: Kátia espera a pandemia e a crise econômica no país darem um sossego para inaugurar o restaurante Sofia, em homenagem à mãe de mesmo nome, hoje com 89 anos:

- É um sonho antigo, que exige de mim uma dedicação grande. Mas ainda não chegou a hora - diz Kátia, ela mesma a "mãe-inspiração" de outra chef, Bianca Barbosa, do Manda!. A tradição continua.

Serviço:

Alda Maria Doces Portugueses: Além dos doces e tortas do cardápio, a doceria criou caixas e cestas portuguesas que podem ser uma ótima opção de presente de Dia das Mães. A "caixa-presente", a R$ 100, vem com bolo de mel da Madeira, Dom Rodrigo, Toucinho do Céu tradicional, bem-casado, damasco com amêndoas, Trouxinha de Nozes, pastel de Santa Clara e compota de ovos moles. Take away de quarta a sábado, das 11h às 17h, e delivery (preferencialmente, com o pedido sendo feito com um dia de antecedência). Rua Almirante Alexandrino 1.116, Santa Teresa. Pedidos e cardápio completo pelo Whatsapp: 21 98542-1320.

Dida Bar: O Caril de Camarão, feito com molho curry, um toque de açafrão, cominho, coentro e o tempero especial do Dida, é acompanhado de arroz e farofa com dendê e custa R$ 55. Rua Barão de Iguatemi 379, Praca da Bandeira. Encomendas pelo whatsapp (21 97956-4883).

O Rio Gastronomia é uma realização do jornal O GLOBO com apresentação do Senac RJ e do Sesc RJ, patrocínio master do Santander, patrocínio de Naturgy e Stella Artois, apoio do Gosto da Amazônia, Água Pouso Alto e Getnet, e parceria do SindRio.

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