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Mãe de Henry pede autorização para deixar cadeia e ir a enterro do pai, morto por Covid-19

·2 minuto de leitura

Os advogados Thiago Minagé, Hugo Novais e Thaise Assad solicitaram, na manhã desta segunda-feira, dia 12, autorização da direção do Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, para que Monique Medeiros da Costa e Silva possa comparecer ao enterro de seu pai, o funcionário civil da Aeronáutica Fernando José Fernandes da Costa e Silva. O avô materno de Henry Borel Medeiros morreu, na noite deste domingo, por complicações da Covid-19. A professora está presa preventivamente na unidade e é ré, assim como o namorado, o médico e ex-vereador Jairo de Souza Santos, o Dr. Jairinho, por tortura e homicídio triplamente qualificado contra o menino, coação no curso do processo e fraude processual.

Fernando estava internado em um hospital particular, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, e não resistiu à doença. O pedido de comparecimento ao velório e sepultamento feito pelos advogados de defesa de Monique tem como base o artigo 120 da Lei de Execuções Penais, que afirma que os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semiaberto e os presos provisórios poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer a morte ou doença grave de cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão.

O idoso já sofria de outros problemas de saúde há alguns anos. Em depoimento prestado na distrital, no inquérito que apurava a morte de Henry, sua mulher, a professora Rosângela Medeiros da Costa e Silva, contou que, quando Monique lhe telefonou avisando haver levado o filho para o Hospital Barra D’Or com dificuldades para respirar, na madrugada de 8 de março, ela chegou a chamar o companheiro. Mas, por ele não ter condições físicas de acompanhá-la, foi até a unidade de saúde com o filho e a nora.

A casa da família sofreu uma busca e apreensão, feita por policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca), na manhã de 26 de março. Na ocasião, quatro celulares foram recolhidos no imóvel. Quando o aparelho de celular de Monique foi periciado por profissionais do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), 134 mensagens trocadas pela professora e por Fernando, entre os dias 13 e 24 de março, foram recuperadas.

Ao idoso, a quem a ela identifica como “papy”, ela escreve, à 1h18 de 15 de março: “Devo merecer o que está acontecendo. Tudo foram escolhas minhas. Agora estou colhendo. Me sinto muito culpada.” O pai então responde: “Todos nós erramos.” E Monique argumenta: “Eu deveria ter colocado ele na cama dele que era mais baixa. Deveria ter dormido no quartinho dele com ele”. E Fernando rebate: “Nada acontece se Deus não permitir”.

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