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LVMH compra Tiffany em transação avaliada em US$ 16,2 bilhões

Alexandre Melo

A expectativa é de que o negócio seja concluído em meados de 2020, após o aval das entidades regulatórias e dos investidores O conglomerado de luxo LVMH, dono da marca Louis Vuitton, anunciou nesta segunda-feira um acordo definitivo para adquirir a joalheria americana Tiffany & Co por US$ 135 por ação, em dinheiro, em uma transação com valor patrimonial de aproximadamente US$ 16,2 bilhões.

Wilfredo Lee/AP Photo/Arquivo

A oferta foi aprovada pelos conselhos de administração das empresas e o colegiado da Tiffany recomendou que seus acionistas concordem com a proposta. A expectativa é de que o negócio seja concluído em meados de 2020, após o aval das entidades regulatórias e dos investidores.

“Estamos muito satisfeitos por ter a oportunidade de dar as boas-vindas à Tiffany, uma empresa com uma herança incomparável e uma posição única no mundo global de joias, para a família LVMH”, disse Bernard Arnault, o diretor-presidente da LVMH, em comunicado ao mercado.

O Citi e o J.P. Morgan foram assessores financeiros da LVMH e o Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom atuou como consultor jurídico. Já a Tiffany teve o suporte financeiro do Centerview Partners e do Goldman Sachs, além da assessoria jurídica da Sullivan & Cromwell.

“A Tiffany se concentrou em executar nossas principais prioridades estratégicas para impulsionar o crescimento sustentável a longo prazo", afirmou Alessandro Bogliolo, diretor-presidente da Tiffany. O executivo acrescentou que a transação, que ocorre em um momento de transformação interna, oferece suporte, recursos e impulso adicionais para a próxima geração.

Com o anúncio da aquisição, as ações da LVMH operavam em alta em Paris e as da Tiffany tinham uma forte valorização no pré-mercado da bolsa de Nova York.

Aquisição deve fortalecer Tiffany nos EUA

A compra fortalecerá a atuação do conglomerado de luxo no mercado de joalheria nos Estados Unidos. Em comunicado ao mercado, a LVMH afirmou que a transação transformará sua divisão de relógios e complementará o portfólio com 75 grifes, incluindo TAG Heuer, Hublot, Bulgari e Dior.

Com a transação, a LVMH vai permitir uma competição com igualdade com nomes como a suíça Richemont, em uma das categorias que mais crescem do setor de artigos de luxo pessoais.

Fundada em 1837, a Tiffany conseguiu fama e status com as icônicas caixas azuis e com a adaptação para o cinema, em 1961, de um romance de Truman Capote, “Breakfast at Tiffany’s [no Brasil, “Bonequinha de Luxo”], estrelado por Audrey Hepburn. Mas o fascínio pela marca diminuiu nos últimos anos.

A primeira loja da marca foi aberta no centro de Manhattan por Charles Lewis Tiffany. Atualmente, são cerca de 300 unidades em todo o mundo.

No exercício encerrado em julho, a Tiffany divulgou uma receita de US$ 4,4 bilhões, uma queda de quase 1% em base anual, e um lucro líquido de US$ 561 milhões, um crescimento de 13%.

O conglomerado LVMH, administrado pelo francês Bernard Arnault, tem no portfólio marcas como Moët & Chandon e Veuve Clicquot na área de bebidas, e em fragrâncias detém Givenchy e Guerlain. No mercado de moda, além da Louis Vuitton, controla Fendi e Marc Jacobs.