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LUZ recebe aporte da Delta e inicia fornecimento de energia no interior de SP

Torres de linhas de transmissão de energia no Brasil.

Por Letícia Fucuchima

SÃO PAULO (Reuters) - A empresa digital LUZ estreia nesta semana suas operações de fornecimento de energia elétrica no interior do Estado de São Paulo, com foco em consumidores de pequeno e médio portes, como estabelecimentos comerciais e de serviços que querem economizar na conta de luz contratando energia solar distribuída ou migrando para o mercado livre.

A proposta da empresa, que ganhou respaldo com um aporte do grupo Delta Energia, é transformar a experiência de consumidores que estão hoje ligados ao mercado cativo, das distribuidoras, oferecendo alternativas de energia com menores custos e mais tecnologia.

As atividades se iniciam por meio da geração distribuída de energia solar. A empresa atua na modalidade "compartilhada", construindo pequenas usinas solares e vendendo como se fossem "cotas" de energia aos consumidores por meio de sua plataforma digital.

A LUZ não revela o tamanho de seu portfólio, mas disse trabalhar com um "mix" de usinas, sendo que 25% delas são proprietárias e o restante, arrendadas de grandes geradores de energia, afirmou Flávio Catani, um dos sócios-fundadores.

A empresa já está oferecendo serviços de energia solar em cidades do interior de São Paulo, como Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Bauru, que ficam na área de concessão da distribuidora CPFL Paulista.

A meta da empresa é expandir para cinco outros Estados ainda em 2022 e chegar a 100 mil clientes até o fim de 2023.

"Em 2024 ofereceremos nossos serviços por todo território nacional", projeta Catani.

A LUZ também já está preparada para atuar na comercialização de energia no mercado livre, atendendo o chamado "varejo" do setor elétrico, composto por clientes de pequeno porte com consumo bem abaixo das grandes empresas que as elétricas estão acostumadas a atender.

Pelas regras atuais, apenas consumidores com carga mínima de 500 kilowatts (kW) --equivalente a uma conta mensal de 140 mil reais --estão aptos a migrar ao ACL. No entanto, o governo vem flexibilizando essas regras, de forma a permitir que mais consumidores, inclusive residenciais, possam comprar livremente energia no médio e longo prazo.

Para dar solidez às atividades, a LUZ recebeu um investimento da Delta, que foi uma das pioneiras na comercialização de energia no mercado livre, criado há 20 anos, e que expandiu suas operações para os mercados de geração de energia e biocombustíveis.

As empresas não revelam o valor do investimento realizado ou a participação da Delta no negócio, mas, segundo a LUZ, o aporte financeiro é suficiente para sua sustentação por até cinco anos.

"Acreditamos que é importante as empresas do setor se anteciparem para o que em breve se tornará uma realidade para milhões de consumidores. O investimento na LUZ faz parte do nosso plano de expansão e é fundamental para apoiar nessa transformação necessária ao desenvolvimento do setor elétrico brasileiro", afirmou a Delta, em nota.

APOSTA NA TECNOLOGIA

Para se diferenciar no mercado, a LUZ aposta na tecnologia, tendo investido na compra de uma empresa de tecnologia com foco em ciência de dados.

"Com nosso aplicativo, o cliente poderá ter acesso às informações de seu consumo. Em 2023, ele poderá monitorar todos os eletrodomésticos e saber onde a pessoa poderá economizar", explica Catani.

"Por exemplo, ele saberá quanto se consome, em reais e kilowatt-hora, em um banho de chuveiro elétrico e se deveria tomar banho em algum outro horário."

O movimento da LUZ e de outras elétricas ocorre no momento em que o Brasil avança com a abertura do mercado livre de energia a um universo cada vez maior de consumidores.

Na semana passada, o Ministério de Minas e Energia publicou uma portaria permitindo que todos os consumidores conectados em alta tensão possam aderir ao mercado livre de energia elétrica a partir de 2024, no que seria o maior avanço desde 1995 para a liberalização de mercado.

O governo também começa a avançar com a abertura total de mercado, inclusive para residências, a partir de 2028, tendo aberto uma consulta pública sobre o tema.