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Luva que identifica pesticidas em alimentos é criada por cientistas da USP

·3 min de leitura

Uma luva capaz de detectar resíduos de pesticidas em alimentos foi criada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP). A peça de borracha sintética, munida de sensores, surge como uma alternativa segura e mais barata aos processos convencionais de detecção de tais substâncias.

A luva possui três eletrodos distribuídos entre os dedos indicador, médio e anelar, impressos através de uma técnica chamada serigrafia. A tinta, feita de carbono, permite a detecção de uma série de pesticidas usados desde no cultivo de grãos até cana-de-açúcar.

A luva consegue detectar diferentes grupos de pesticidas (Imagem: Reprodução/Paulo A.Raymundo-Pereira et al.)
A luva consegue detectar diferentes grupos de pesticidas (Imagem: Reprodução/Paulo A.Raymundo-Pereira et al.)

Para realizar a análise do alimento, ele precisa estar em contato com água, a qual funciona como um condutor entre as substâncias e os eletrodos. Basta tocar a superfície da amostra com algum dos três dedos para que a detecção seja iniciada.

O coautor do estudo, Sergio Antonio Spinola Machado, disse não haver nada parecido no mercado. Segundo ele, os métodos convencionais são caros e levam um tempo maior para realizar a análise. “Fornecem informação analítica rápida, in loco e com baixo custo”, acrescentou Machado.

Como a luva detecta pesticidas

Cada um dos três sensores é responsável por detectar uma classe diferente de pesticida e é necessário que a amostra esteja em um meio aquoso. "Basta pingar uma gotinha no alimento e a solução estabelece o contato entre este e o sensor”, explicou a coautora do estudo, Nathalia Gomes.

Os sensores nos dedos indicador, médio e anelar detectam pesticidas em presentes em frutas, verduras e líquidos (Imagem: Reprodução/Nathalia Gomes/USP)
Os sensores nos dedos indicador, médio e anelar detectam pesticidas em presentes em frutas, verduras e líquidos (Imagem: Reprodução/Nathalia Gomes/USP)

Primeiro, coloca-se o dedo indicador na amostra, depois o médio e então o anelar. A detecção é realizada em um minuto, mas o dedo anelar leva menos tempo. Segundo os pesquisadores, o sensor do anelar usa uma técnica baseada em carbono funcionalizado.

Uma vez detectada a substância, as informações são transferidas para um software instalado no celular, onde ocorrem as análises. O idealizador da luva, Paulo Augusto Raymundo-Pereira, explicou que, entre os diferenciais da invenção, está sua capacidade seletiva de detecção. Ao contrário dos métodos convencionais, a luva permite que o processo seja realizado sem a necessidade de preparar as amostras — que até mesmo podem ser consumidas após a análise.

A ferramenta não tem prazo de validade, mas os pesquisadores disseram que, no entanto, os sensores podem ser danificados com solventes, como álcool e acetona, ou arranhados por outros objetos.

Alternativa barata

A inovadora luva se encontra em processo de requisição de patente com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O produto se destaca pois, no mercado atual, não existe um procedimento simples para a detecção de variados pesticidas.

A luva é uma alternativa barata e eficaz aos meios tradicionais no mercado para detecção de pesticidas (Imagem: Reprodução/Nathalia Gomes/USP)
A luva é uma alternativa barata e eficaz aos meios tradicionais no mercado para detecção de pesticidas (Imagem: Reprodução/Nathalia Gomes/USP)

Raymundo-Pereira destacou que representantes de agências internacionais já usam luvas para manipular a entrada de alimentos em países. “Imagine se tivessem um sistema de sensoriamento de pesticidas embutido? Alimentos contendo pesticidas proibidos seriam descartados já na fronteira”, destacou.

O maior custo na produção são as luvas em si, porque os sensores não custam mais de US$ 0,1. Segundo a equipe, a luva nitrílica é menos porosa do que a de látex, mas, com a pandemia, o preço do material subiu bastante. Ainda assim, o produto permanece mais barato do que os processos tradicionais.

O estudo foi publicado na revista Chemical Engineering Journal.

Fonte: Canaltech

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