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Do luto aos prêmios: como Abel deu a volta por cima no Internacional e foi eleito o melhor técnico do Brasileiro

Marcello Neves
·4 minuto de leitura

O Abel não vive, ele sobrevive. A frase que ecoou nos corredores do CT do Fluminense, em 2017, sintetizava a visão de dirigentes, jogadores, torcedores e jornalistas que acompanharam de perto o drama vivido pelo treinador, hoje com 68 anos. Ao perder o filho caçula, João, que caiu do apartamento onde a família morava, no Leblon, Abel agarrou-se como nunca à profissão. Hoje, o prêmio de melhor técnico do Campeonato Brasileiro referenda a opção do treinador de manter-se na ativa no momento mais trágico de sua vida e a volta por cima após diversos problemas esportivos.

O carioca Abel Carlos da Silva Braga é um dos maiores treinadores da história do futebol brasileiro, mas poucos o colocariam entre os principais da atualidade no país até novembro de 2020, quando iniciou a sua sétima passagem pelo Beira Rio. Aliás, um elogio ao estádio Colorado quando estava à frente do Flamengo, em 2019, ajudou a selar sua saída da Gávea e iniciou uma crise que atingiria a sua carreira.

Era consenso entre os dirigentes que o Flamengo precisava de um treinador de pulso firme, mas com bom trânsito entre os jogadores, para liderar um elenco milionário. Abel acabou sendo o escolhido. Porém, com 19 vitórias, oito empates e cinco derrotas à frente da equipe, havia virado alvo de críticas. Ao saber que o rubro-negro negociava com Jorge Jesus, ele pediu demissão, citando “covardia e articulações”.

Após o trabalho frustrante pelo Flamengo, Abel também não obteve sucesso à frente do Cruzeiro, que acabaria rebaixado, e do Vasco. Essa desconfiança começou a ser superada quando ele desembarcou pela sétima vez no Inter, uma relação de amor iniciada em 1988.

— É um treinador histórico, com o respeito e o carinho de todos. Reativou o bom futebol e nos coloca vivos. Nunca deixamos de acreditar — afirmou o goleiro Marcelo Lomba, no início de fevereiro.

Abelão superou diversas sombras nesta passagem por Porto Alegre. Uma a uma, todas elas foram caindo. No Brasileiro, ao obter a nona vitória consecutiva, ele bateu o recorde de um treinador na era dos pontos corridos, ultrapassando Jorge Jesus com seus oito triunfos pelo Flamengo. O começo, no entanto, não foi fácil, apesar da paixão mútua. Abel teve que ganhar a confiança da torcida colorada, insatisfeita com a saída do argentino Eduardo Coudet, que deixou a equipe para ir comandar o Celta de Vigo.

Foi eliminado quase em sequência de Copa do Brasil e Libertadores. Mas encerrou uma escrita: depois de 11 jogos de jejum no clássico, o Inter voltou a vencer um Gre-Nal. Mas não foi só. Na vitória sobre o Vasco, na antepenúltima rodada do torneio, Abel tornou-se o treinador que mais vezes comandou o colorado. O jogo de ontem foi o seu 339º no clube.

— Ser o técnico que mais treinou o Inter é o mais importante para mim. Esse clube tem mais de 100 anos. Eu fui uma peça de uma grande engrenagem na conquista da Libertadores e do Mundial. Não foi o Abel que ganhou, eu só estava junto. Agora, ser quem mais treinou, isso sou eu — disse ele à época para a Rádio Gaúcha.

Abelão ainda testou positivo para a Covid-19. Considerado do grupo de risco por causa da idade, ficou afastado quatro jogos.

A volta por cima

Pessoas próximas garantem que Abel não mudou nada no trato com os jogadores. Isso facilitou a sua principal missão ao assumir o cargo, que era gerir o vestiário. Ele não gosta de ser chamado de “paizão”, mas o estilo agregador ajudou a conquistar o grupo e focá-lo na disputa pelo título. Entre os jogadores, é elogiado pela franqueza e por conseguir unir o elenco. Mesmo em momento de turbulência, Abel tratou de respaldar os jogadores mais jovens, ao mesmo tempo em que chamava os medalhões para assumir a responsabilidade.

Mas o que o futuro reserva a Abel? Após a conquista do vice-campeonato brasileiro, o treinador confirmou que está deixando o Internacional. Abatido, revelou seu choro e do elenco após o empate sem gols com o Corinthians, resultado que impediu o título. Se tivesse vencido, o time gaúcho encerraria um jejum de quatro décadas.

— Fica o legado. Trabalho muito bom, prazeroso. Sem problema, mas fica a dor. Mais um vice-campeonato, o terceiro com o Inter", lamentou. "Sei que pelas conquistas deixei muita esperança no torcedor, mas consegui criar na vida. Creio que, pela minha lisura, lealdade ao clube, consegui o que nem em sonho poderia. Ela veio ocorrer justamente no Inter, clube pelo qual prezo, respeito e amo — declarou.

Após a saída de Abel, o Inter deve oficializar o acerto que tem com o técnico espanhol Miguel Ángel Ramirez desde o ano passado. A diretoria ainda desconversa sobre a confirmação do novo treinador.